Estudo mostra como o ômega 3 pode ajudar a reduzir crises de enxaqueca

Estudo mostra como o ômega 3 pode ajudar a reduzir crises de enxaqueca

Por Natalie Rosa | Editado por Luciana Zaramela | 06 de Agosto de 2021 às 11h20
wayhomestudio/Freepik

A enxaqueca é uma doença crônica que pode ser intensificada por alguns gatilhos, como a alimentação e o estresse. Com base nisso, um estudo divulgado recentemente descobriu quais são os alimentos que podem melhorar e piorar as crises. 

Enquanto dietas ricas em ômega-3 são essenciais para combater as crises, a alimentação com ômega-6 em excesso pode provocar o efeito contrário. De acordo com os responsáveis pelo estudo, a descoberta pode trazer esperança a cerca de um bilhão de pessoas em todo o mundo que sofrem com o mal da enxaqueca. 

Imagem: Reprodução/jcomp/Freepik

Daisy Zaroma, co-autora da pesquisa, diz que, em testes, a redução dos dias de enxaqueca mensais foi impressionante. "Foi parecido com o que vemos com alguns medicamentos que estão sendo usados como preventivos de enxaqueca e isso é muito empolgante", completa. 

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

Ômega-3 e ômega-6

Tanto o ômega-3 quanto o ômega-6 são gorduras encontradas em nossa alimentação diária. O primeiro, que possui propriedades anti-inflamatórias, é encontrado em peixes de água fria, como salmão, atum, sardinhas e arenques, mas também em plantas e frutos como nozes, linhaça e chia, entre outras oleaginosas, folhas verde-escuras e algas.

Já o segundo, ômega-6, é encontrado em alguns óleos vegetais, como milho, cártamo e soja, e por isso fazem parte da composição de muitos alimentos processados, como biscoitos e petiscos. De acordo com Zaroma, quando o organismo está digerindo essa gordura, ele gera moléculas que estão relacionadas ao processo de dor, estimulando as crises.

Metodologia do estudo

Para chegar às respostas, os responsáveis pelo estudo recrutaram 182 pessoas que sofrem de enxaqueca entre cinco a 20 dias por mês, e dois terços dos participantes afirmaram sofrer de enxaqueca crônica. Então, os cientistas distribuíram três tipos de dietas a eles, de forma aleatória, e eles deveriam seguir o planejamento por 16 semanas. Veja como foi:

Dieta com ômega-3 - os participantes precisaram ingerir bastante salmão e atum diariamente, aumentando a ingestão das gorduras EPA (ácido eicosapentaenóico) e DHA (ácido docosahexaenoico) a 1,5 gramas ao dia.

Dieta rica em ômega 3 e baixa em ômega-6 - além da ingestão da mesma quantidade de ômega-3 da dieta anterior, eles precisaram reduzir a quantidade de ômega-6 ingerida a um quarto de uma dieta tradicional, focada nos costumes norte-americanos.

Dieta tradicional - neste terceiro grupo, o consumo foi de alimentos com níveis comuns de ácidos graxos de ômega-3 e ômega-6 baseada na alimentação padrão dos Estados Unidos.

Imagem: Reprodução/topntp26/Freepik

Diariamente, o participante do estudo precisou manter um diário para monitorar as suas enxaquecas e registrar a frequência e intensidade das dores de cabeça, além do quanto elas impactavam suas vidas. No começo do estudo, os voluntários registraram cerca de 16 crises de dor de cabeça ao mês, durando aproximadamente cinco horas e meia diárias, mesmo tomando diversos medicamentos para combater a dor. 

Resultados

Depois de quatro meses de pesquisa, a dieta alta em ômega-3 e baixa em ômega-6 resultou em uma redução de 30% a 40% no total de horas diárias de enxaqueca, de dores severas por dia e no geral de dores de cabeça ao mês, em comparação com os outros grupos. A pesquisa mostrou que só aumentar o ômega-3 e não reduzir o ômega-6 não traz resultados tão expressivos, apesar de também ser vantajoso.

O estudo deixa claro que os resultados foram obtidos através da mudança na alimentação e não com base em suplementos, e que ainda não há dados sobre uma mudança parecida com o consumo dessas cápsulas. Além disso, a pesquisa não substituiu o uso de medicamentos.

Você pode conferir o estudo completo neste link.

 

Fonte: Today, NY Times

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.