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Esquizofrenia: risco genético muda com a idade

Por| Editado por Luciana Zaramela | 03 de Agosto de 2023 às 13h52

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Callie Gibson/Unsplash
Callie Gibson/Unsplash

De acordo com um estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) na última terça-feira (1), a esquizofrenia pode gerar algumas alterações cerebrais. O grupo percebeu que o risco genético para esquizofrenia é detectável nas interações da rede cerebral mesmo para aqueles que não têm esquizofrenia, e essa mudança diminui com a idade.

A ideia dos pesquisadores é que a descoberta ajude os médicos a identificar o risco de desenvolver doenças mentais mais cedo e melhorar as opções de tratamento.

Os pesquisadores usaram um método chamado Neuromark para extrair redes cerebrais dos dados de neuroimagem que foram posteriormente analisados ​​no estudo. Para chegar à descoberta, a equipe primeiro fez exames de ressonância magnética para detectar alterações relacionadas à idade na conectividade cerebral e sua associação com o risco de esquizofrenia.

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O próximo passo da pesquisa foi identificar indivíduos de alto risco para desenvolver esquizofrenia durante o final da adolescência e início da idade adulta. Ao todo, o estudo combinou mais de 9 mil conjuntos de informações do UK Biobank — um banco de dados que conta com informações genéticas, de estilo de vida e saúde.

Através do estudo, eles descobriram que as alterações nas conexões cerebrais pré-frontal-sensorial e cerebelar-occipitoparietal estão ligadas ao risco genético de esquizofrenia. Essas alterações foram observadas em pacientes com esquizofrenia e irmãos neurotípicos.

“Essas descobertas traçam uma trajetória cerebral relacionada ao risco em vários estágios de idade com o potencial de melhorar nossa compreensão do distúrbio e melhorar os esforços de diagnóstico e intervenção precoce, com um impacto significativo na vida de indivíduos em risco”, diz a equipe, em comunicado.

O que é esquizofrenia?

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Mas o que é esquizofrenia, exatamente? O distúrbio tem como características surtos que levam o paciente a confundir realidade com delírios e alucinações, o que acaba por dividir sua mente em dois "mundos" que se cruzam.

A doença pode ser causada por complicações da gravidez e do parto, infecções e alterações no desenvolvimento do sistema nervoso no período de gestação. Alterações neuroquímicas, como problemas com certas substâncias químicas do cérebro também podem contribuir para a esquizofrenia, assim como o uso de drogas psicoativas.

Como é o cérebro de uma pessoa com esquizofrenia?

Pesquisas já chegaram a revelar que o cérebro de uma pessoa com esquizofrenia apresenta várias diferenças estruturais, incluindo na substância branca (que constitui as vias de comunicação entre o sistema nervoso central e os locais externos ao sistema nervoso central) e na cinzenta (local de recepção e de integração de informações e respostas).

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Esses estudos anteriores ressaltaram que a esquizofrenia reduz a substância branca e muda sua densidade, além de estreitar a massa cinzenta em diferentes partes do córtex, camada mais superficial do cérebro. Essas alterações na substância branca estão relacionadas a sintomas psicóticos e uma capacidade menor de concentração.

Fonte: Georgia State University, Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)