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Esqueça a semaglutida! Veja quais alimentos têm o mesmo efeito de saciedade

Por| Editado por Luciana Zaramela | 20 de Março de 2023 às 18h38

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Bondarillia/Envato
Bondarillia/Envato

Nos últimos meses, a venda de remédios que carregam a semaglutida como princípio ativo tem disparado em inúmeros países. Prescritos originalmente para pacientes com diabetes, os medicamentos Ozempic, Wegovy e Rybelsus são reaproveitados para a obesidade e a perda de peso — em alguns casos, o uso off label (fora da bula) não é regulamentado. A questão é que, segundo especialistas, cinco tipos de alimentos poderiam trazer os mesmos benefícios, como abacate, ovos, nozes, leguminosas e alguns grãos.

Inclusive, é preciso destacar os riscos do uso de remédios com semaglutida, sem acompanhamento médico adequado. Além dos efeitos adversos, a medicação pode causar o efeito sanfona, ou seja, o paciente ganha os quilos perdidos quando para o uso do remédio.

Só que, na contramão da conscientização, crescem os indícios da "febre mundial" pelos medicamentos com semaglutida. Nos Estados Unidos, uma trend no TikTok ajudou a esgotar estoques de Ozempic no final do ano passado. No Brasil, a farmacêutica Novo Nordisk confirmou a existência de problemas de abastecimento do medicamento por alto consumo e estes só devem ser normalizados no segundo trimestre.

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Como a semaglutida e remédios tipo Ozempic funcionam?

Para entender, o Ozempic e outros remédios com semaglutida induzem no paciente a saciedade, como um dos principais efeitos relacionados — outros efeitos envolvem o auxílio na produção de insulina. "Essa sensação de estar satisfeito ou 'cheio' suprime o apetite. É por isso que funcionam para perda de peso", explica Emma Beckett, professora da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, em artigo para o site The Conversation.

A sensação de saciedade está relacionada com a capacidade do princípio ativo em "imitar" um hormônio natural do organismo, o GLP-1. Em condições normais, este hormônio é produzido quando o corpo capta que nutrientes foram ingeridos. "O GLP-1 faz parte da via de sinalização que informa ao corpo que você comeu e o prepara para usar a energia proveniente da comida", explica Beckett.

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Quais são os 5 tipos de alimentos que melhoram a saciedade?

Como a semaglutida altera um processo natural, é presumível que efeitos semelhantes possam ser gerados pela alimentação. De fato, isso ocorre conforme apontam estudos científicos. Basicamente, estes efeitos de saciedade são gerados por macronutrientes, contidos em alimentos ricos em energia. Em outras palavras, são aqueles ricos em gorduras boas ou em açúcares específicos.

Entre os estudos que descobriram como o GLP-1 pode ser produzido, naturalmente, através da alimentação, está uma pesquisa da Universidade de Ottawa, no Canadá, que foi publicada na revista científica Nutrition & Metabolism. No artigo, os autores recomendam a ingestão dos seguintes alimentos para se obter a sensação de saciedade:

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  • Abacate, rico em gorduras boas;
  • Nozes, amêndoa, pistache e outros tipos de sementes, que têm também altas concentrações de gorduras boas;
  • Ovos, fontes de proteína magra;
  • Vegetais e leguminosas, como o amendoim;
  • Grãos integrais, como aveia e cevada.

"É por isso que dietas com alto teor de gordura , fibras e proteínas podem ajudá-lo a se sentir satisfeito por mais tempo. É também por isso que a mudança na dieta fazem parte do controle do peso e do diabetes tipo 2", explica a cientista britânica Beckett.

Mudanças na dieta e remédios devem ser avaliados em cada caso

Apesar dos benefícios da dieta e mudanças no estilo de vida, remédios ainda podem ser necessários e o uso da semaglutida é muito benéfico, quando recomendado por um especialista. A questão é entender cada caso, o histórico do paciente e as suas necessidades.

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"Medicamentos, como o Ozempic, podem ter efeitos colaterais, incluindo náusea, vômito, diarreia e problemas em outros órgãos", pontua Beckett. Por outro lado, "as mudanças dietéticas têm muito menos riscos em termos de efeitos colaterais, mas as respostas levarão mais tempo e esforço", acrescenta.

"Para algumas pessoas, a medicação será uma ferramenta para reduzir o peso e corrigir as variáveis relacionados à insulina. Para outros, a comida sozinha é um caminho razoável para o sucesso", completa a cientista. Em caso de dúvidas e problemas relacionados com a saúde, a orientação é que se busque sempre por um médico especializado.

Fonte: The Conversation e Nutrition & Metabolism