É FAKE! Testes para COVID-19 não foram comprados em 2017

Por Nathan Vieira | 13 de Setembro de 2020 às 13h00
fernando zhiminaicela/Pixabay

Quando se trata de informações disseminadas na internet, é muito importante constatar a veracidade, pois muitas fake news acabam sendo compartilhadas como se fossem verdadeiras. A COVID-19 não é um assunto que sai ileso disso. Pelo contrário. E tem ventilado pela internet uma publicação apontando que o comércio internacional tem registradas compras de kits de testes para detecção da doença em questão feitas ainda em 2017 — o que não é real.

A mensagem falsa se baseia em registros de uma base de dados chamada World Integrated Trade Solution (WITS) e consta do seguinte: “A maior fraude do século! Governos de todo o mundo já sabiam, em 2018, que a Covid-19 ia ser lançada, e encomendaram milhões de testes com um ano de antecedência”. A teoria da conspiração da vez é que o coronavírus tenha sido criado artificialmente, em laboratório, e que os países já sabiam que a pandemia ia surgir.

Em entrevista à CBN, o Banco Mundial, instituição financeira internacional que concede empréstimos a países em desenvolvimento, disse que teve uma manipulação de registros de compras antigas de reagentes utilizados para testes relacionados com outras doenças, não a COVID-19.

“É importante esclarecer a desinformação recentemente postada nas redes sociais sobre a rotulagem de dados contidos no banco de dados do WITS. Antes do surto de COVID-19, muitos produtos de saúde, que foram rastreados no banco de dados WITS por anos, eram rotulados em termos técnicos. Por exemplo, produtos usados para testes médicos. Quando os kits de testes para a COVID-19 foram desenvolvidos, em janeiro deste ano, eles foram classificados pelos funcionários da alfândega usando essas classificações existentes”, consta o comunicado oficial.

“À luz de interpretações equivocadas que ocorreram nos últimos dias, a rotulagem no site WITS foi atualizada para refletir a realidade: os testes para Covid-19 não existiam antes de 2020”, o comunicado ainda encerra.

Desde o início, a COVID-19 tem sido alvo de fake news em inúmeras partes do mundo (Imagem: Edward Jenner/Pexels)

COVID-19 e fake news

Essa não foi a primeira vez que a doença que tem assolado a população mundial protagoniza informações errôneas na internet. Em meados de maio, foi feito um estudo publicado pela organização de pesquisa e petições online Avaaz, apontando que cerca de 100 milhões de brasileiros — ou sete em cada dez internautas no país — acreditam em fake news relacionadas à COVID-19. Segundo o estudo, o WhatsApp é o principal vetor de desinformação, com sete a cada dez pessoas recebendo matérias falsas e dados errados sobre a doença, bem como supostos métodos de cura e teorias de conspiração.

A pesquisa da Avaaz também usou dados dos EUA e Itália para fins comparativos, ressaltando que a tendência de fake news serem levadas mais a sério realmente é maior por aqui: cerca de 73% dos brasileiros já acreditaram (e, consequentemente, compartilharam) em alguma informação falsa, contra 65% dos norte-americanos e 59% dos italianos.

Fonte: Com informações do G1

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