Diurético se mostra promissor e vira nova esperança no tratamento do Alzheimer

Diurético se mostra promissor e vira nova esperança no tratamento do Alzheimer

Por Renato Santino | Editado por Luciana Zaramela | 12 de Outubro de 2021 às 12h00
Reprodução: Rawpixel

Pesquisadores detectaram um remédio que pode se tornar uma nova arma no combate ao mal de Alzheimer. Ao cruzar informações de várias fontes, cientistas dos Estados Unidos chegaram a um diurético chamado bumetanida que pode ser reposicionado para tratar combater a doença entre pacientes considerados de risco por razões genéticas.

A pesquisa, publicada na revista Nature Aging, inclui uma análise com várias camadas que apontou uma menor prevalência do Alzheimer entre aqueles que tomavam o medicamento em comparação com aqueles que não o utilizavam.

Para chegar ao nome, no entanto, foram necessárias análises em múltiplos níveis. Os pesquisadores observaram bancos de dados com amostras de tecido cerebral, quais drogas já têm aprovação na Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) dos Estados Unidos, testes realizados em ratos e em células humanas, além de estudos em escala populacional.

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Sabe-se que um dos fatores genéticos de risco para o desenvolvimento do Alzheimer é o gene da apolipoproteína E (APOE4). Os pesquisadores, então, analisaram amostras de pacientes que portavam uma ou mais cópias do APOE4 e detectaram outros 2.000 genes que tiveram sua expressão alterada em comparação com pessoas que não tinham Alzheimer.

Bumetanida foi considerada a mais promissora entre 1.300 drogas analisadas pelos pesquisadores (Imagem: Myriam Zilles/Unsplash)

O passo seguinte foi analisar 1.300 medicamentos já conhecidos para filtrar aqueles que tivessem uma assinatura de expressão genética que poderia neutralizar o Alzheimer. Foi assim que se chegou a cinco nomes, entre os quais a bumetanida foi considerada a mais promissora.

Em estudos com camundongos, os cientistas perceberam que a droga reduziu os déficits de aprendizado em memória entre os animais que manifestavam o gene APOE4. Já em neurônios gerados a partir de células-tronco, o efeito neutralizante também foi observado. Diante dos resultados animadores, os pesquisadores analisaram registros médicos de mais de 5 milhões de adultos com 65 anos ou mais que tomaram o medicamento e perceberam que o risco de desenvolvimento da doença entre aqueles era menor entre os que usaram a droga. Entre aqueles com os fatores genéticos de risco, a prevalência do Alzheimer foi entre 35% e 75% menor entre os usuários da bumetanida.

Os pesquisadores ainda são cautelosos, no entanto. Eles definem a bumetanida como um forte candidato, mas mais testes específicos ainda são necessários para validar a hipótese.

Fonte: NIH, STAT News

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