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Cérebro revela sinais do Alzheimer muito antes da pessoa chegar ao diagnóstico

Por| Editado por Luciana Zaramela | 07 de Outubro de 2021 às 18h42

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iLexx/Envato
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De acordo com um estudo britânico, pessoas saudáveis —  e​​ com um risco genético para a doença de Alzheimer conhecido ou não —  podem apresentar diferenças na estrutura do cérebro e ter um resultado pior em testes de capacidade mental, de forma precoce. Agora, o desafio é desenvolver tecnologias que detectem estes primeiros sinais da condição neurológica, antes mesmo que o diagnóstico tradicional possa ser confirmado. 

Anteriormente, a ciência já identificou que pessoas com pais ou irmãos com a doença de Alzheimer (parentes de primeiro grau) apresentam uma maior probabilidade de desenvolvê-la do que aquelas sem um parente próximo afetado. No entanto, o fato novo é a descoberta destes possíveis indicativos antes mesmo das manifestações mais robustas. A descoberta também pode auxiliar quem desconhece o histórico de saúde da família.

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Vale lembrar que o Alzheimer é uma doença degenerativa, que afeta diferentes regiões do cérebro. Entre as primeiras, está o hipocampo. Este é vital para o processamento da memória e do aprendizado. Por isso, é tão difícil reverter um quadro da doença, quando o diagnóstico é feito tardiamente.

Entenda o estudo

Publicada na revista científica Neuropsychopharmacology, a pesquisa da Universidade de Glasgow adotou um sistema de pontuações para o risco genético de uma pessoa de desenvolver o Alzheimer. Este cálculo foi feito a partir de uma base com dados genéticos de 32.790 adultos saudáveis, ​​sem um quadro de demência diagnosticado naquele momento, retirada do banco UK Biobank.

Após as análises, os pesquisadores descobriram que o risco genético ao longo da vida de uma pessoa com Alzheimer estava, de forma significativa, associado a diferenças na estrutura do cérebro e no desempenho em testes de capacidade mental.

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"Nossas descobertas são novas porque mostram que os efeitos do risco genético podem, até certo ponto, ser aparentes muito antes de um diagnóstico de demência clínica", comentou a pesquisadora do estudo, Rachana Tank. Afinal, as diferenças na estrutura do cérebro já poderiam estar ali, antes de qualquer manifestação, por exemplo.

"Essas descobertas podem levar a uma forma melhorada de avaliar o risco de doença de Alzheimer do que os métodos atuais de indagação sobre um histórico familiar de demência", destacou o pesquisador Donald Lyall. “Ser capaz de identificar indivíduos em risco, a partir de piores habilidades cognitivas e do declínio potencialmente acelerado, pode melhorar muito o diagnóstico e as opções de tratamento no futuro”, complementou Lyall.

Busca por um diagnóstico precoce

O desafio será transformar esse conhecimento em um sistema que permita o diagnóstico mais precoce da condição. “Se pudermos identificar com precisão as pessoas em risco de desenvolver a doença de Alzheimer mais tarde na vida, isso poderá mudar o jogo”, aposta a pesquisadora Fiona Carragher.

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“A detecção precoce de pessoas com maior risco tem o potencial de abrir caminho para novos tratamentos no futuro e ajudar os pesquisadores a entenderem o que causa o desenvolvimento de doenças como o Alzheimer", comentou Carragher. No entanto, a pesquisa deve se expandir para outros bancos de dados, já que o estudo se concentrou na população europeia.

Além disso, a pesquisadora Carragher destacou que “a escala deste estudo é significativa. Ele adiciona mais evidências para a teoria de que algumas alterações cerebrais associadas à doença de Alzheimer podem começar muitos anos antes de sintomas como a perda de memória".

Para acessar o estudo completo sobre os sinais precoces que o cérebro revela sobre o Alzheimer, clique aqui.

Fonte: The National News