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Dispositivo cerebral pode manter TOC e epilepsia sob controle

Por| Editado por Luciana Zaramela | 30 de Outubro de 2023 às 18h04

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microgen/envato
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Em estudo publicado na revista científica Neuron no último dia 20, pesquisadores mostraram que um dispositivo cerebral pode manter o TOC (transtorno obsessivo compulsivo) e a epilepsia sob controle. A tecnologia fornece choques elétricos quando detecta padrões irregulares no seu cérebro associados a pensamentos compulsivos ou convulsões.

O dispositivo conta com apenas 32 milímetros de comprimento e se concentra em detectar sinais neurais únicos. A equipe reconhece que é a primeira vez que uma tecnologia do tipo é usada para TOC, bem como para tratar simultaneamente essas duas condições. Para escrever o artigo, foi acompanhado o caso de uma paciente com o transtorno, submetida à implantação do dispositivo cerebral.

Para adaptar o dispositivo com base no TOC, os pesquisadores precisavam saber quais assinaturas neurais na atividade cerebral da paciente correspondiam à sua experiência de pensamentos obsessivos.

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Então o grupo pediu que essa paciente passasse um ímã sobre sua cabeça quando tivesse pensamentos obsessivos no seu cotidiano, ao que o dispositivo implantado marcava o momento de cada evento. No experimento, os pesquisadores também expuseram a paciente a itens que desencadeavam seu TOC.

Ao analisar essas gravações cerebrais, foi possível identificar uma assinatura neural que correspondia aos momentos em que a paciente sentia que precisava agir de acordo com suas compulsões. Assim, os pesquisadores programaram o dispositivo para fornecer estímulo apenas quando detectasse esse tipo de atividade cerebral.

TOC sob controle

Nos seis a oito meses seguintes, os sintomas do TOC da paciente diminuíram significativamente e a atividade cerebral desencadeou a estimulação com menos frequência. Conforme aponta o relatório, a princípio ela chegava a passar oito horas por dia sob compulsão. No momento da publicação do estudo, essa taxa caiu para cerca de 30 minutos.

Agora a ideia dos cientistas é ver se a abordagem funciona também em outros pacientes. Caso a eficácia seja comprovada em outras pessoas, a equipe vê benefícios potenciais dessa estimulação personalizada: como a corrente elétrica é intermitente, aumentaria a vida útil do dispositivo e os pacientes precisariam de menos cirurgias para substituir as baterias.

Além disso, originalmente a tecnologia pode perder sua eficácia se estiver sempre ligada, então a estimulação menos frequente pode impedir a resistência.

Como é a mente de quem tem TOC?

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Em 2022, os cientistas rastrearam pela primeira vez os sinais cerebrais associados ao TOC. O estudo registrou sinais elétricos nos cérebros de cinco pessoas com o transtorno.

Nesse mesmo ano, foi descoberto que estímulos cerebrais podem aliviar sintomas do TOC. Mas na ocasião, a técnica consistiu em um procedimento neurocirúrgico para colocar eletrodos finos em estruturas profundas do cérebro, especificamente uma região conhecida como cápsula ventral/estriado ventral.

Anteriormente, o Canaltech já conversou com psiquiatras e uma paciente diagnosticada com o transtorno justamente para entender como funciona a mente de quem tem TOC. Os primeiros sinais costumam surgir na infância e acendem um alerta na família por conta de 'manias', como a necessidade inexplicável de abrir e fechar a porta inúmeras vezes, entrar em casa apenas com o pé direito, evitar as rachaduras da calçada ou lavar as mãos excessivamente, até descamar a pele.

Fonte: Neuron