Desequilíbrio no intestino pode causar Parkinson, segundo estudos brasileiros

Desequilíbrio no intestino pode causar Parkinson, segundo estudos brasileiros

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 18 de Março de 2022 às 19h30
JimCoote/Pixabay

Dois artigos científicos brasileiros publicados recentemente sugerem que um desequilíbrio no intestino pode influenciar no desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, especialmente Parkinson. Segundo as descobertas, a condição pode se originar mais cedo no sistema nervoso entérico — responsável por controlar a motilidade do trato gastrointestinal — antes de avançar para o cérebro.

O primeiro artigo foi desenvolvido pela equipe do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), de Campinas, e publicado no último mês na revista iScience. Enquanto isso, o segundo artigo foi publicado na Scientific Reports, e realizado sob apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Os grupos apontam que a disbiose intestinal (uma condição clínica que acontece quando a microbiota intestinal está sofrendo algum desequilíbrio de bactérias) costuma ser notada com frequência nos pacientes diagnosticados com Parkinson.

Desequilíbrio no intestino pode causar Parkinson, segundo estudo (Imagem: twenty20photos/Envato)

Conforme os trabalhos indicam, algumas células do intestino possuem uma proteína chamada a-sinucleína, que tem uma relação direta com o Parkinson. Essas células se conectam por sinapse com os neurônios, e com isso, formam um circuito neural entre o trato gastrointestinal e o sistema nervoso entérico, o que pode desencadear a condição neurodegenerativa.

Os cientistas analisaram uma bactéria específica chamada Akkermansia muciniphila, capaz de agregar a proteína a-sinucleína nas células do intestino. Perceberam, então, que quando as células intestinais foram cultivadas juntamente com neurônios, a proteína a-sinucleína poderia ser transferida de um tipo celular para outro.

Em outras palavras, essa proteína pode então migrar para o sistema nervoso central, configurando um possível mecanismo de surgimento da doença de Parkinson.

Fonte: iScience, Scientific Reports

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