Cuidado com cheiro de cocô! É possível contrair COVID-19 só de inalar; entenda

Por Fidel Forato | 27 de Maio de 2020 às 13h52
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Pesquisadores brasileiros a franceses já identificaram a presença do novo coronavírus (SARS-CoV-2) nos esgotos das grandes cidades e, assim, estudam a relação das águas contaminadas com os casos da COVID-19 registrados nos hospitais dos arredores. Agora, cientistas chineses, da província de Guangdong, conseguiram isolar amostras viáveis — com potencial de contaminação — nas fezes de um paciente que morreu em decorrência da infecção respiratória.

Publicado no periódico Emerging Infectious Diseases, esse estudo analisou inúmeras amostras fecais do paciente e chegou a seguinte conclusão: "O isolamento do SARS-CoV-2 (em sua forma infectante) nas fezes indica a possibilidade de transmissão fecal-oral ou transmissão fecal-respiratória, através de fezes em aerossol".

É possível contrair a COVID-19 só pelo cheiro (Imagem: Reprodução/ Visual Science)

Entenda os resultados

Dessa forma, a possibilidade de contaminação por contato fecal-oral ou fecal-respiratório pode, sim, acontecer através de aerossóis fecais, ou seja, como se a pessoa inalasse uma "nuvem de cocô" de um paciente infectado. Em outras palavras, o simples odor das fezes de uma pessoa com o coronavírus pode ser capaz de transmitir a infecção, quando inalado.

Amostras de fezes de um paciente do sexo masculino, de 78 anos, com a COVID-19 foram coletadas entre 17 e 28 dias após o início dos sintomas. Todas esses amostras testaram positivo para o coronavírus, que foi encontrado em sua forma viável para infecção. Inclusive, a carga viral era superior àquelas encontradas nas amostras do trato respiratório do mesmo paciente.

Após o período, somente pedaços do RNA - que não provocam a COVID-19 - foram identificadas nas fezes do paciente, ou seja, as supostas transmissões estavam controladas. Embora a situação seja um tanto inusitada, o pior é que já há precedentes para esse tipo de contaminação.

Segundo o estudo, durante a pandemia da SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), em 2003, 329 residentes de um conjunto residencial em Hong Kong foram infectados quase ao mesmo tempo. Desse total, 42 morreram em decorrência da infecção. Diante dessa história, os casos foram investigados e se chegou à conclusão de que as tubulações de esgoto do prédio estavam com defeito e levaram à 'aerossolização' de fezes contaminadas para os apartamentos, infectando seus moradores.

Limpe bem a privada

Embora o campo da ciência que investigue as transmissão de vírus pelas fezes seja no mínimo polêmica, o estudo chinês demonstrou que o coronavírus pode permanecer em sua forma viável também nas fezes de pacientes contaminados. Dessa forma, os autores recomendam alguns cuidados especiais na hora da limpeza de ambientes possivelmente contaminados, como banheiros de hospitais ou mesmo em casa (enquanto alguém cumpre quarentena).

"Nossos resultados indicam a necessidade de precauções apropriadas para evitar a transmissão potencial de SARS-CoV-2 a partir de fezes. As práticas de alta hospitalar e limpeza hospitalar devem considerar essa possibilidade para pacientes gravemente enfermos ou para pessoas que morreram com altas cargas virais e com maior probabilidade de transmitir vírus infeccioso", explicam os pesquisadores.

Para evitar riscos, basta manter a boa higienização dos banheiros em casa e, quem for fazer essa limpeza, deve estar bem equipado de luvas descartáveis e de máscara para que não se inale o odor das fezes, por exemplo. Nessa missão, produtos como água sanitária, desinfetantes em geral e limpadores com cloro ou álcool (acima de 60%) podem garantir a eliminação eficaz de possíveis coronavírus.

Fonte: CDCUol

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