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Covid longa pode durar 8 meses, aponta estudo

Por| Editado por Luciana Zaramela | 18 de Janeiro de 2022 às 17h44

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frender/envato
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Pesquisadores australianos descobriram que pessoas podem apresentar sequelas da covid-19 mesmo após 8 meses da recuperação da infecção pelo coronavírus SARS-CoV-2. Segundo a equipe de cientistas, a covid longa independe do grau da infecção, como grave ou leve.

Publicado na revista científica Nature Immunology, o estudo sobre a covid longa foi liderado por pesquisadores do Kirby Institute da Universidade de Nova Gales do Sul e do St. Vincent's Hospital, em Sydney. A principal conclusão é que as sequelas são causadas pelo funcionamento anormal do sistema imunológico. É como se ele não voltasse ao estágio pré-infecção.

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Vale explicar que casos de covid longa ocorrem quando os pacientes, mesmo "curados" e sem carga viral detectável, continuam a apresentar sintomas persistentes, como fadiga, dores de cabeça, névoa mental, falta de ar e dificuldades para dormir (ansiedade).

Estudo sobre as sequelas da covid-19

Na investigação sobre a covid longa, os pesquisadores usaram dados de outro estudo do St. Vincent's Hospital, o ADAPT. Nesta pesquisa, foram coletadas amostras de indivíduos não-vacinados durante a primeira onda pandemia do coronavírus da Austrália.

"Nossas descobertas podem validar alguns dos sintomas que as pessoas com covid longa experienciam", explica Chansavath Phetsouphanh, do Kirby Institute. "Descobrimos que há uma inflamação significativa e sustentada que indica ativação prolongada da resposta do sistema imunológico detectável por pelo menos oito meses após a infecção inicial", complementa.

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Para chegar ao tempo de duração da covid longa, a equipe examinou amostras de sangue de pessoas com e sem o quadro. Nessas amostras, a ideia era identificar uma variedade de 'biomarcadores imunológicos" dessas sequelas da infecção original.

"Comparamos com pessoas que não tiveram covid-19. Encontramos níveis persistentemente elevados de interferons Tipo I e Tipo III — tipos de proteínas produzidas em resposta à presença de um vírus. Esses interferons geralmente desaparecem depois que uma infecção desaparece, mas em pacientes com covid longa descobrimos que eles estavam presentes por um longo período", detalha Phetsouphanh.

No total, foram analisadas amostras de 62 pacientes com covid longa diagnosticada. Os dados foram coletados em três momentos diferentes: três, quatro e oito meses da infecção original. Isso significa que as sequelas, potencialmente, podem permanecer por mais tempo no organismo e este limite ainda é desconhecido.

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Covid longa não depende de gravidade

"Um dos aspectos mais surpreendentes de nossa análise é que as pessoas não precisam ter um quadro grave da covid-19 para experimentar essas mudanças imunológicas contínuas", explica o pesquisador. “Isso sugere que a fisiopatologia — conjunto de processos físicos desordenados associados à covid longa — se aplica independentemente da gravidade da doença”, completa.

Na última semana, cientistas da Universidade Stanford e a Universidade Yale reforçaram a ideia de que a sequela da covid-19 não está necessariamente conectada com a gravidade da infecção. Em estudo, eles observaram que casos leves e assintomáticos podem afetar a saúde do cérebro, de forma duradoura. Nessas circunstâncias, o paciente pode enfrentar a condição chamada como névoa mental.

Fonte: Nature Immunology e University of New South Wales