Covid longa: pequenos coágulos podem explicar as sequelas do coronavírus

Covid longa: pequenos coágulos podem explicar as sequelas do coronavírus

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 10 de Janeiro de 2022 às 09h49
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Pequenos coágulos e plaquetas hiperativadas — aquelas que trabalham de forma inesperada — são os possíveis responsáveis pelos casos de covid longa, segundo pesquisa sul-africana. Atualmente, não existem exames padronizados para a medir as sequelas do coronavírus SARS-CoV-2, mas estima-se que cerca de 100 milhões de pessoas no mundo convivam com essas complicações da infecção.

Vale explicar que casos de covid longa ocorrem quando os pacientes, mesmo "curados" da covid-19 e sem carga viral detectável, continuam a apresentar sintomas persistentes da doença, como fadiga, dores de cabeça, névoa cerebral, falta de ar e dificuldades para dormir (ansiedade).

Possível causa da pós-covid

Casos de pós-covid podem ter relação com a formação de pequenos coágulos na corrente sanguínea (Imagem: Reprodução/Kjpargeter/Freepik)

Publicado na revista científica Cardiovascular Diabetology, o estudo sobre a pós-covid foi liderado por pesquisadores da Stellenbosch University, na África do Sul. Segundo a equipe de cientistas, os pacientes com a condição abrigam moléculas inflamatórias presas em pequenos coágulos, espalhados pela corrente sanguínea.

Durante a análise das amostras, os pesquisadores descobriram que, no sangue de pacientes com a covid-19 e de pessoas que sofrem de pós-covid, existiam pequenos coágulos e que estes prendiam proteínas envolvidas com o processo de coagulação do sangue, mas que estavam em atividade disfuncional. São os casos do fibrinogênio e da α2AP.

"A presença de pequenos coágulos persistentes e plaquetas hiperativadas (também envolvidas na coagulação) perpetuam a coagulação e a patologia vascular, resultando em células que não obtêm oxigênio suficiente nos tecidos para sustentar as funções corporais (conhecida como hipóxia celular). A hipóxia generalizada pode ser central para os numerosos sintomas debilitantes relatados", explica Resia Pretorius, uma das autoras do estudo, em artigo, publicado no jornal The Guardian.

Isso porque a concentração dessas proteínas pode reduzir a capacidade normal do corpo de "quebrar" coágulos. Por sua vez, o aumento dos coágulos pode elevar o risco de bloqueios nos vasos e isso pode, potencialmente, privar partes do corpo de oxigênio. Esse processo pode ser traduzido em alguns sintomas, como cansaço e falta de ar.

Tem como tratar?

A partir dessa teoria, a equipe sugere o uso de medicamentos antiplaquetários e anticoagulantes para pacientes com covid longa, desde que recebam acompanhamento médico regular para reduzir possíveis danos. No entanto, mais estudos ainda são necessários para investigar as possíveis causas das sequelas do coronavírus, já que esta explicação pode não ser a única.

Nesse cenário, Pretorius defende: "Precisamos urgentemente de investir em mais pesquisas e ensaios clínicos para entender melhor e confirmar ainda mais a ligação entre a coagulação sanguínea anormal, hipóxia e disfunção vascular em pacientes com pós-covid".

Fonte: Cardiovascular Diabetology e The Guardian  

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