COVID-19 | Vacina não causa disfunção erétil, mas a doença sim; entenda

COVID-19 | Vacina não causa disfunção erétil, mas a doença sim; entenda

Por Natalie Rosa | Editado por Luciana Zaramela | 30 de Julho de 2021 às 08h30
jcomp/Freepik

Entre as diversas notícias falsas que circulam pelo mundo a respeito das vacinas contra o coronavírus, uma das mais recentes é a de que o imunizante pode provocar disfunção erétil e infertilidade masculina. A informação, no entanto, não é verdadeira, mas somente em relação à vacina.

De acordo com um novo estudo realizado na Universidade de Miami, o imunizante que combate o SARS-CoV-2, o coronavírus, não é capaz de afetar a reprodução masculina, mas o vírus, em si, sim. O objetivo da pesquisa foi descobrir as implicações da infecção para homens de todas as idades, inclusive ainda muito jovens, que pretendem ter filhos.

Ranjith Ramasamy, professor e diretor do Programa de Urologia Reprodutiva da Universidade de Miami, responsável pelo estudo, conta que foram analisados tecidos de autópsias dos testículos de seis homens que morreram por complicações da COVID-19. Eles descobriram, então, que o vírus apareceu nos tecidos de um dos homens, enquanto em três pessoas houve a redução do número de espermatozoides.

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Imagem: Reprodução/Seventyfourimages/Envato Elements

Outro paciente, este, sobrevivente, passou por uma biópsia de testículo três meses depois de ter se recuperado da doença, mas ainda contava com o SARS-CoV-2 no local. A COVID-19 também pode afetar o pênis, ainda de acordo com o estudo. Os cientistas analisaram o tecido do órgão de dois homens que estavam recebendo implantes de pênis, e descobriram que o vírus ainda estava presente mesmo depois de sete a nove meses após o diagnóstico.

Ambos os homens desenvolveram disfunção erétil severa, provavelmente devido à redução de fluxo sanguíneo provocada pela infecção. Um dos homens chegou a ter sintomas leves de COVID-19, enquanto o outro precisou ser hospitalizado para melhores tratamentos. Isso significa, segundo os cientistas, que até mesmo o caso mais leve da doença pode resultar na forma grave da disfunção.

Os cientistas explicam que a descoberta não é uma surpresa, uma vez que estudos realizados com o SARS-CoV, em 2006, já haviam mostrado que seis pacientes que morreram pela infecção tiveram destruição de células nos testículos, ficando com praticamente nenhum espermatozoide. Além disso, já é conhecido que o Zika vírus pode entrar nos testículos e provocar inflamação, e cerca de 20% desses homens acabam tendo problemas na produção de esperma.

Imagem: Reprodução/kjpargeter/Freepik

E a vacina?

A equipe de cientistas fez uma pesquisa adicional para investigar a segurança dos imunizantes em relação ao sistema reprodutor masculino, analisando as vacinas da Pfizer e da Moderna, que trabalham com o RNA mensageiro.

Eles descobriram que todos os homens avaliados no estudo (45) estavam com seus pênis, testículos e espermas seguros. "Essa, então, é uma nova razão para se vacinar. Para preservar a fertilidade masculina e a função sexual", diz o cientista líder, que pontua também que a pesquisa é apenas um pequeno passo para entender como a COVID-19 afeta a saúde sexual masculina.

O médico alerta que homens que foram diagnosticados com a COVID-19 e que vêm experienciando dores testiculares podem considerar que o vírus invadiu os tecidos, e precisam procurar um urologista o quanto antes.

Fonte: The Conversation

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