COVID-19: teste rápido com saliva está sendo desenvolvido em Minas Gerais

Por Fidel Forato | 15 de Abril de 2020 às 10h20
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A testagem de uma população para o novo coronavírus (SARS-CoV-2) é uma das medidas mais eficientes para traçar, por exemplo, a real dimensão da COVID-19 e também definir políticas públicas mais eficientes para o combate da infecção. No entanto, um dos grandes desafios é a dificuldade do acesso a uma grande quantidade de testes, questão em que a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) vem trabalhando.

O Laboratório de Nanobiotecnologia do Instituto de Biotecnologia (IBTec/UFU), coordenado pelo professor Luiz Ricardo Goulart Filho em Uberlândia, desenvolve dois protótipos de sensores para o diagnóstico do novo coronavírus através da saliva de um paciente. As tecnologias já devem estar disponíveis para a testagem de pacientes até maio deste ano, esperam os pesquisadores.

Nesse projeto da UFU, o seu principal diferencial é que ambos os testes não precisam de reagentes, ou seja, não dependem das substâncias necessárias para se fazer os exames convencionais do coronavírus e que estão em falta devido à altíssima demanda mundial.

Professor Luiz Goulart (à esquerda) recebe ministro Marcos Pontes (ao centro) para falar sobre novos testes da COVID-19 (Foto: Reprodução/ Alexandre Santos)

Para entender sobre os dois sistemas e a possível implementação no país, o Canaltech entrevistou, hoje (15), o professor Goulart, minutos antes do pesquisador conversar com o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes.

Como funcionam?

As plataformas tecnológicas para o enfrentamento da COVID-19 funcionam a partir de dois sistemas que se complementam. Nesse sentido, o teste biofotônico utiliza a luz infravermelha para a leitura de amostra da saliva de um paciente infectado, feita na nuvem e lida por um algoritmo.

Sobre o protótipo, Goulart explica como funciona esse sistema: “Um laser segmenta os componentes salivares, e a Inteligência Artificial (IA) identifica a presença do vírus ou não na saliva do paciente”.

Já para áreas onde não há disponível uma boa conexão com a internet ou ainda há a necessidade de um teste mais prático, há outra opção desenvolvida pelo grupo de pesquisadores da UFU: o sistema eletroquímico.

Nesse caso, a leitura da amostra salivar do paciente é feita a partir de correntes elétricas, realizadas diretamente por um sensor ligado a um smartphone. Para isso, o professor comenta: “é um sensor portátil baseado em smartphones, que já vem com a tecnologia embarcada. Não precisa acessar a web: basta estar com o pendrive, que tem o sistema, e o microchip”.

Nos dois exames, a partir da saliva, o profissional da saúde deve pingar uma gota da amostra nos aparelhos para a detecção do novo coronavírus, em até um minuto.

Mais funções

As duas tecnologias podem detectar outras doenças também, ainda mais porque são desenvolvidas desde 2016, em uma parceria público-privada com o laboratório Biogenetics. “Desenvolvemos as tecnologias para outras doenças infecciosas e crônico-degenerativas, e também para contaminações ambientais e de alimentos”, esclarece Goulart. Entretanto, desde a emergência da pandemia da COVID-19, o grupo direciona seus protótipos exclusivamente a doença.

Quanto ao sistema eletroquímico, “cada microchip é personalizado para uma doença específica. Nesse caso, este vai estar adequado para o diagnóstico da COVID-19, mas poderia estar apto para a tuberculose ou para a influenza”, explica o professor sobre o sistema aberto.

“Já utilizamos essa tecnologia [de testes através dos smartphones] desde 2010 dentro do laboratório. Então, resolvemos implementar como uma forma de trabalho com o surgimento da IA, que utilizamos há mais de três anos”, comenta a respeito dessa tecnologia que é muito mais barata e, por isso, mais viável. Já tecnologia biofotônica deve ser lançada nos próximos meses para a identificação de mais de 45 doenças.

Implementação

Na segunda-feira (13), o professor e coordenador da iniciativa realizou demonstrações dos testes à comitiva do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), durante visita ao Laboratório de Nanobiotecnologia. Entre os presentes, estava o ministro Marcos Pontes.

Durante o encontro, o ministro Pontes disse que ficou "muito satisfeito" com o que observou na UFU. "A possibilidade de termos testes que não usam reagentes vai ser um ganho para o país", ressaltou. Além disso, segundo o ministro, uma vez que essa tecnologia seja testada e aprovada, o próximo passo é trabalhar em parceria com o Ministério da Saúde para sua implementação em caráter nacional.

Para um plano de implementação com o Ministério, Goulart explica que é preciso “validar o protótipo final com mais de 1.000 amostras, registrar na Anvisa o protocolo todo e fazer as patentes para proteger os direitos”. Já em 20 dias, a previsão é que os dois produtos estejam prontos para o Ministério aprovar e o compartilhar, por sua vez, com o Ministério da Saúde.

“Vamos montar uma fábrica em Uberlândia para gerar os produtos que são necessários para usar o equipamento fotônico”, atualiza o professor sobre os planos, onde esses testes devem ser lançados, inicialmente, na cidade mineira e em outras regiões que fazem parte do sistema que colabora.

“São mais ou menos 20 pontos [para a testagem] que serão abertos [em um primeiro momento] e acredito que, se tudo der certo, vamos ter isso em maio, com 500 diagnósticos por dia em cada máquina”, conclui Goulart sobre o sistema inovador que deve custar ao poder público cerca de R$ 50 por teste.

A seguir, confira a live do MCTIC, onde o ministro Marcos Pontes explica sobre o funcionamento da tecnologia no minuto 36:

Fonte: Comunica UFU

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