COVID-19: quanto custará a dose da vacina que será distribuída no SUS?

Por Fidel Forato | 09 de Outubro de 2020 às 15h20
CDC/Unsplash

Cada vez mais o Brasil está próximo de uma vacina contra a COVID-19. Na quinta-feira (8), o secretário executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, anunciou que o país deve ter, pelo menos, 140 milhões de doses de um imunizante contra o coronavírus SARS-CoV-2, ainda no primeiro semestre de 2021. Dessa forma, campanhas de vacinação começarão no primeiro trimestre e, inclusive, já existe levantamento sobre o preço das doses.

Para a previsão de 140 milhões de doses de uma vacina contra a COVID-19, o Ministério da Saúde planeja contar com duas fontes. A primeira é o acordo com a iniciativa COVAX Facility, liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que prevê o acesso e a distribuição igualitária de vacinas contra o coronavírus, o que incluí o acompanhamento de estudos clínicos feitos com diferentes imunizantes. Entre as mais de 100 nações que integram a aliança, está o Brasil.

Para programa de vacinação contra a COVID-19, governo já calcula dose das vacinas (Imagem: Reprodução/ HeungSoon/ Pixabay)

Além do programa coordenado pela OMS, o governo também fechou acordo comercial independente com a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, com parceria da farmacêutica AstraZeneca. Para a vacinação, tanto a vacina de Oxford quanto as vacinas candidatas do portfólio COVAX demandam duas doses para imunização completa.

Dessa forma, as 140 milhões de doses seriam suficientes para imunizar cerca de 70 milhões de brasileiros — o que equivale a 33% da população. Entre outras políticas públicas, o governo também prevê a produção própria de doses no segundo semestre, através da transferência de tecnologia das vacinas, e avalia outros acordos com mais fornecedores.

Quanto vai custar a vacina contra a COVID-19?

Segundo o governo, cada dose do imunizante obtido através do programa COVAX Facility custará US$ 21,90 (cerca de R$ 121,00). No total da iniciativa, está previsto o custo de R$ 2,5 bilhões para os cofres públicos, sendo que o primeiro pagamento de R$ 830.895.256,59 já foi feito, de acordo com o ministério.

Como as vacinas estão em fase de desenvolvimento, não se sabe ainda qual será a fórmula responsável pela imunização dos brasileiros. Entretanto, o portfólio da COVAX considera os seguintes desenvolvedores para fornecer uma potencial vacina contra a COVID-19: Inovio; Moderna; Curevac; ThemisMerk; Oxford/AstraZeneca; Novavax; Universidade Queensland; Clover; e Universidade de Hong Kong.

Além da parceria com a OMS, o governo planeja ter acesso ao imunizante desenvolvido em parceria com a AstraZeneca/Oxford. Nesse acordo, a previsão é de 100 milhões de doses que devem ser entregues no primeiro semestre de 2021. Depois, outras 165 milhões de doses devem ser produzidas no segundo semestre. Nesse caso, o custo estimado por dose será de US$ 3,16 (cerca R$ 17,40), segundo a pasta.

Além dessas opções, o ministério também monitora outras vacinas, como a CoronaVac que será produzida pelo Instituto Butantan, em São Paulo. No entanto, não há definição sobre compra dessas doses, por enquanto.

Vacinação da COVID-19 com QR code? 

Quanto ao formato de vacinação, o governo estuda em um comitê como será feito o programa nacional. Uma das medidas previstas é o cadastro obrigatório de CPF das pessoas que serão vacinas para monitoramento de eventuais reações. "Diferente de outras campanhas, ela exigirá a identificação do cidadão, através do uso do CPF. Esse registro vai permitir o monitoramento constante de eventos adversos, todos os sistemas de comunicação estarão conectados", explicou Jacson Venâncio de Barros, diretor do Departamento de Informática do SUS.

Segundo Barros, também está em desenvolvimento um modelo de certificado de vacinação em PDF com dados em QR code. A ideia é que ele seja emitido em uma plataforma do próprio SUS e cada indivíduo vacinado poderá salvar ou compartilhar o comprovante. Além disso, o documento poderá ser verificado por terceiros, garantindo a autenticidade. Se tudo der certo, as pessoas poderão até esquecer a carteirinha de vacinação em casa.

Fonte: G1 e Exame   

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