COVID-19 | Novo estudo explica como a doença se torna extremamente grave

Por Natalie Rosa | Editado por Luciana Zaramela | 13 de Maio de 2021 às 08h00
Reprodução: Freepik

Cientistas da Universidade Amsterdam UMC, na Holanda, acabam de divulgar respostas sobre o motivo pelo qual a COVID-10 pode ser fatal para alguns pacientes. Os pesquisadores afirmam ter identificado uma resposta anormal dos anticorpos que tentam combater a presença do vírus, que vez de proteger acabam causando a gravidade da doença.

Segundo o estudo, que foi publicado na revista científica Science Translational Medicine, alguns pacientes produzem uma quantidade extremamente alta de anticorpos quando há a infecção pelo coronavírus, e esses anticorpos também têm uma estrutura diferente que provoca uma reação inflamatória extrema nos pulmões. 

Menno de Winther, um dos responsáveis pelo estudo, explica que nosso organismo produz anticorpos com formato de Y. "O topo se conecta ao vírus, enquanto a cauda se liga às células do sistema imunológico nos pulmões, ativando essas células", diz o cientista. "Agora, sabemos que essa cauda é diferente em pacientes gravemente doentes. Simplificando, os açúcares que normalmente estão ligados aos anticorpos são diferentes. O resultado é que as células imunológicas nos pulmões são ativadas com muita força", completa.

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Jeroen den Dunnen, imunologista que também participou do estudo, explica que o sistema imunológico pode ser "completamente superativado", o que é conhecido como tempestade de citocinas. "A resposta inflamatória que deveria atacar o vírus agora destrói os próprios tecidos dos pacientes. "Além disso, os vasos sanguíneos vazam, os pulmões se enchem e as plaquetas começam a se agrupar", diz o cientista, contando ainda que é praticamente inevitável a entrada na UTI quando isso acontece.

Tratamento

Den Dunnen conta que, atualmente, medicamentos como a dexametasona e o tocilizumabe vêm sendo usados nestes pacientes graves, mas que eles não são 100% eficazes. "Essas drogas realmente têm algum efeito, mas a maior desvantagem é que eles suprimem o sistema imunológico como um todo. E não é isso o que você realmente quer, porque você quer uma boa resposta imunológica contra o vírus", explica.

A universidade vem estudando o uso da droga fostamatinib para o tratamento da doença em sua forma grave, garantindo que os pulmões reajam apenas ao coronavírus e não aos anticorpos normais. Os pesquisadores acreditam que o medicamento possa ser um candidato promissor para um tratamento seguro e eficaz, e por se tratar de um remédio já registrado para tratar outra doença, De Winther diz que não será necessário algum outro tipo de procedimento antes dos testes em humanos.

"Agora nós temos os resultados de pesquisas de Fase 2, em que a droga foi testada em 59 pacientes. Em um grupo de 30 pessoas que receberam o medicamento, menos pessoas morreram, houve menos efeitos colaterais e elas se recuperaram mais rápido do que os 29 pacientes que receberam um placebo", diz De Winther. O pesquisador diz ainda que um estudo de Fase 3 baseado no anterior já foi iniciado em mais de 40 hospitais, que deve mostrar se o medicamento realmente é útil como um tratamento da COVID-19.

O estudo completo está disponível online.

Fonte: Medical Xpress

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