COVID-19 | Notícias falsas sobre a pandemia já mataram mais de 800 pessoas

Por Natalie Rosa | 14 de Agosto de 2020 às 13h25
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A desinformação sempre foi perigosa para a sociedade, principalmente quando há envolvimento com a saúde pública. Com a chegada da pandemia da COVID-19, consequentemente diversas notícias falsas começaram a circular sobre a doença, possível tratamento e prevenção — e essas informações teriam custado vidas, segundo estudo recente.

A pesquisa, publicada no The American Society of Tropical Medicine and Hygiene, trouxe resultados assustadores, mostrando que cerca de 800 pessoas morreram por acreditar em informações falsas, 5.876 ficaram hospitalizadas e 60 pessoas, no Irã, acabaram com cegueira completa após ingerir metanol para se prevenir contra o novo coronavírus.

A propagação das notícias falsas e as consequências que surgem com elas podem ser chamadas de infodemia, e ela está marcando presença na pandemia atual. O estudo foi realizado por uma equipe de pesquisadores de doenças infecciosas, que analisaram redes sociais e sites de notícias para monitorar como a desinformação sobre a COVID-19 estava sendo espalhada online.

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Exemplos

Foram identificados, então, mais de 2.300 rumores e teorias da conspiração sobre a COVID-19, de 87 países e 25 idiomas diferentes. Segundo os cientistas, nenhuma dessas notícias era, de fato, útil em relação à doença, muitos deles ainda sendo letais. "Por exemplo, um mito popular diz que o consumo de álcool altamente concentrado poderia desinfectar o corpo e matar o vírus", diz a pesquisa.

O estudo ainda conta outros relatos, como o que aconteceu no Qatar, quando dois homens morreram após a ingestão de desinfetantes à base de álcool. Na Índia, pessoas ficaram doentes por ingerir álcool fabricado com sementes tóxicas de uma planta chamada datura, cinco delas sendo crianças. Eles haviam assistido a um vídeo que afirmava que as sementes garantiriam imunidade contra a doença.

Na Coreia do Sul, uma igreja usou um borrifador para espirrar água salgada nos fiéis, mas acabou infectando mais de 100 pessoas, uma vez que o recipiente era direcionado diretamente na boca da pessoa sem ser esterilizado na sequência.

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As notícias falsas sobre a COVID-19 não são espalhadas apenas como sugestão de tratamento e cura, mas também para propagar boatos sobre a sua origem. Já foram divulgadas informações dizendo que o coronavírus é um tipo de raiva, que smartphones podem transmitir o vírus pelo ar, que ele se trata de uma arma biológica, que foi criado por Bill Gates para controle populacional, entre outras coisas.

Por fim, o estudo aponta que a infodemia está circulando livremente pela internet e é um problema que precisa ser levado com mais seriedade. Em relação à COVID-19, eles sugerem que as agências de saúde façam o rastreio dessas notícias em tempo real, engajando as comunidades locais.

Fonte: Science Alert

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