COVID-19 e gravidez: quais são os riscos?

Por Fidel Forato | 08 de Fevereiro de 2021 às 18h40
Daniel Reche/PIxabay

Com base nos dados desta segunda-feira, mais de 106 milhões de pessoas já contraíram o novo coronavírus (SARS-CoV-2) no mundo todo, sendo que 2,6 milhões casos evoluíram para óbito, segundo levantamento da Johns Hopkins University. Nesse cenário, ainda é pouco conhecido o comportamento da COVID-19 em grávidas e como a infecção pode afetar o recém-nascido.

Para investigar o comportamento do coronavírus em mulheres grávidas, o National Institutes of Health (NIH) acompanhou casos da COVID-19 neste grupo e, agora, apresenta pela primeira vez os resultados preliminares da pesquisa em um encontro virtual da Society for Maternal-Fetal Medicine, nesta quinta-feira. Vale explicar que a análise foi liderada pela principal agência de pesquisa médica dos EUA, composta por mais de 25 institutos espalhados pelo país.

Pesquisa norte-americana investiga os riscos da COVID-19 durante a gravidez (Imagem: Reprodução/ Tasha/ Pixabay)

No cenário da gravidez em plena pandemia da COVID-19, é também importante comentar que, até o momento, as mulheres grávidas e lactantes não são incluídas na maioria das campanhas de vacinação do mundo por falta de pesquisas sobre o efeito dos imunizantes no organismo, durante a Fase 3 dos estudos clínicos. Dessa forma, cuidados como higienização das mãos, uso de máscaras e distanciamento social são fundamentais.

Gravidez e o coronavírus

Segundo a pesquisa, a infecção pelo coronavírus afetou, principalmente, mulheres grávidas que apresentaram um quadro mais grave da COVID-19. Nessas condições, as pacientes tiveram um risco maior de complicações durante e após a gravidez, quando comparadas com as mães assintomáticas ou com casos leves.

Aquelas com sintomas graves da infecção enfrentaram um risco maior de complicação durante a cesariana, além de chances de hemorragia pós-parto, distúrbios hipertensivos da gravidez e parto prematuro. Para se chegar a essa conclusão, os pesquisadores avaliaram mais de 1,2 mil mulheres grávidas, diagnosticadas com a COVID-19, que pariram em 33 hospitais dos EUA entre os dias primeiro de março e 30 de julho do ano passado.

Pesquisa sobre COVID-19 em grávidas

No total do estudo sobre gravidez e a COVID-19, quase metade das mulheres participantes (47%) eram assintomáticas para a infecção, 27% apresentavam sintomas leves, 14% tinham sintomas moderados, 8% relatavam sintomas graves e 4% estavam gravemente doentes.

Uma observação é que os indivíduos com sintomas mais graves tendiam a ser mais velhos, com um índice de massa corporal superior à média e problemas de saúde subjacentes, como asma, diabetes, hipertensão, doença hepática e distúrbios convulsivos. Em outras palavras, essas mães já pertenciam a algum grupo de risco para a infecção.

Em toda a pesquisa, o grupo verificou apenas quatro óbitos maternos em decorrência da COVID-19. Por outro lado, o estudo observou que são raras as chances de uma mãe transmitir o coronavírus para o seu filho. Dentro do levantamento com 1,2 mil mães, apenas 1% dos recém-nascidos testaram positivo para a infecção antes da alta hospitalar.

Os resultados completos do estudo Gestational Research Assessments for COVID-19 (GRAVID), do NIH, devem ser divulgados nos próximos dias.

Fonte: NIH    

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