COVID-19: dispositivo indica quem está com febre em empresas ou instituições

Por Luciana Zaramela | 01 de Junho de 2020 às 13h25
Quinyx

Em tempos de pandemia, as empresas se viram diante do desafio de se reinventar — principalmente se precisam controlar seu ambiente corporativo para que não parem de operar por completo. Em um momento delicado como este, garantir a saúde dos funcionários é fundamental para fazer do ambiente de trabalho um local saudável e livre de contágio. Além das medidas preconizadas pela Organização Mundial da Saúde (como uso de máscara, higienização constante das mãos e distanciamento social), quem pode dar um suporte no controle da COVID-19 é ela mesma: a tecnologia.

Nessa sinuca entre manter a saúde dos funcionários e clientes e evitar perdas econômicas substanciais, algumas companhias, como a Quinyx, encontraram uma saída: monitorar as pessoas no ambiente para que seja possível barrar a propagação do coronavírus, mantendo o local livre de focos de infecção entre seus colaboradores. Com o auxílio de sensores e câmeras especializadas em biometria e reconhecimento facial, uma das soluções apresentadas ao mundo é o CAAT — equipamento que controla acesso e afere a temperatura de quem entra em um estabelecimento.

Conversamos com Eduardo Atanazio, especialista de marketing da 18 Gigas e representante da Quinyx Company no Brasil, empresa responsável por trazer o CAAT para o país. O aparelho é uma central de Controle de Acesso e Aferição da Temperatura (daí o nome CAAT) de funcionários ou clientes, que funciona com base em reconhecimento facial para monitorar se alguém no ambiente está com febre — um dos principais sintomas da COVID-19.

O aparelho, que é parecido com um totem ou um daqueles robôs que usam um tablet como tela principal, precisa ser instalado em um local estratégico, como a entrada, a catraca ou o saguão principal de uma empresa ou estabelecimento comercial. Dispensando qualquer tipo de contato físico, funciona da seguinte maneira: basta o usuário se aproximar dele para que, automaticamente, seja feita a aferição de sua temperatura corporal, de maneira bem rápida e precisa.

"O CAAT tem recursos diferenciados: ele faz reconhecimento facial, aferição da temperatura corporal, cadastro de pessoas, consulta de acessos e é facilmente configurável de acordo com a necessidade da empresa, mesmo no período pós-pandemia", explica Atanazio.

Na prática

O CAAT precisa ser posicionado na entrada de uma empresa ou centro comercial, seja em catracas, portas giratórias ou simplesmente no gabinete da recepção. A partir de então, ele vai, conforme explica o executivo, iniciar a verificação de temperatura, uso de máscara e registro dos acessos. Com biossegurança como premissa principal, o dispositivo surge para que empresas possam controlar e registrar o acesso de pessoas, durante e até mesmo depois do período de pandemia. "Ele pode atender Aeroportos, Terminais Rodoviários, Shoppings, Hotéis, Escolas e Faculdades/Universidades, Bancos, Escritórios, Indústrias, Supermercados, Condomínios Comerciais e Residenciais, Estádios, entre outros", exemplifica o executivo.

Para que a aferição aconteça, o aparelho conta com um hardware especializado em biometria e aferição de temperatura, que é viabilizado por sensores infravermelhos em sua estrutura. Esses sensores são capazes de medir a radiação térmica emitida pela pessoa que está dentro do seu raio de ação, e ainda distinguem se ela é realmente uma pessoa ou corpo inanimado — o que ajuda a combater fraudes, como a tentativa de tentar burlar o sistema com uma foto, por exemplo.

Caso o equipamento detecte que algum cliente ou funcionário está com temperatura acima de 37ºC (ou qualquer outra programada pelo administrador), ele sinaliza com um alarme sonoro ou com um aviso na tela. Para ilustrar esse funcionamento, Eduardo explica: "Tudo no CAAT é parametrizado. Dessa forma, tanto a temperatura limite quanto o alarme podem ser facilmente configurados. Se o usuário optar por não permitir entrada de pessoas acima de 37ºC, o equipamento sinalizará com a informação na tela. Já o alarme só irá disparar se estiver configurado. Esta configuração inclui Ligado/Desligado e ainda tem controle do volume. Assim, fica fácil manter a discrição caso o usuário prefira" — algo interessante para evitar constrangimentos em público.

CAAT (Imagem: Divulgação/Quinyx)

O equipamento é baseado nos sistemas chineses de aferição de temperatura de Shenzhen (como os da companhia chinesa WiViKIOSK, que fabrica esse tipo de produto) e funciona tanto online quanto offline, dispensando que um colaborador fique por conta da aferição com um termômetro de mão, automatizando a tarefa nesse sentido. Assim que ligado, já começa a identificar rostos de pessoas e aferir suas temperaturas, enquanto detecta se um indivíduo está ou não de máscara — sugerindo usar uma caso esteja com o rosto descoberto.

Rodando sobre o sistema Android, o software pode ser acessado em português ou inglês e tem capacidade para registrar até 30 mil pessoas, ou seja, funciona para empresas de qualquer porte — e tem precisão superior a 99,5% (ou seja 0,2ºC), além de ser possível alterar a valor base do alarme de temperatura para (por exemplo, definir o alarme de febre para 36,9ºC ou 37,5ºC. Isso ajuda a compensar possíveis condições climáticas locais, por exemplo.

Hardware

Para dar conta do recado, o CAAT conta com uma câmera binocular ampla que capta pessoas em uma distância de 50 cm a 150 cm. A tela possui 8 polegadas, com resolução de 800 x 1280. O processamento fica por conta de uma CPU quad-core RK3288, ou uma RK3399 de seis núcleos, ou ainda uma MSM8953 de oito núcleos, dependendo das especificações. A conexão acontece por meio de uma porta USB, ou por nuvem pública ou privada — por onde os dados são exportados e gerenciados pelo administrador do sistema.

Dados

A solução é bem interessante se formos pensar pelo lado da prevenção à COVID-19 em ambientes corporativos e comerciais. Mas, como será que fica a questão dos dados biométricos das pessoas cadastradas? Antes disso, vale deixar claro que o sistema baseia-se em cadastro rápido, com ID, nome e identificação visual, e o gestor pode acessar esses dados ao exportá-los ou usar interfaces próprias da plataforma da Quinyx.

Para cadastrar cada pessoa, o processo é rápido: a imagem do rosto pode ser capturada com ou sem máscara, apesar de a recomendação ser de realizá-lo com o rosto descoberto. "Os dados são protegidos por acesso restrito", informa Atanazio, que explica ainda que não é necessário registrar todo mundo — afinal de contas, o CAAT pode ser usado em um ponto comercial de fluxo alto de pessoas. "O modo 'público'' é uma opção do CAAT, pois ele não exige o cadastramento de todas as pessoas, podendo ser utilizado de forma híbrida com pessoas 'cadastradas' e 'não cadastradas'. Com acesso liberado para 'não cadastrados’, o CAAT indicará a temperatura para todos e fará o reconhecimento facial apenas dos 'cadastrados'. E ainda conta a opção de manter o histórico do acesso dos não cadastrados".

Com máscara ou sem: o equipamento reconhece quem estiver cadastrado e afere a temperatura na hora (Imagem: Reprodução/Quinyx)

E quanto custa?

Afinal, para ter esse controle de funcionários ou clientes dentro de um estabelecimento ou empresa, de quanto precisa ser o investimento? "O CAAT Quinyx tem um preço de mercado de R$ 15.990 por unidade, podendo variar de acordo com a quantidade adquirida", conta Atanazio, que ainda emenda: "Identificamos que várias empresas estão desviando funcionários para fazerem este controle, porém, com o CAAT, o funcionário poderia retornar para sua função principal anterior bem como não correria riscos de contaminação por estar exposto ao fazer as aferições".

Segundo o executivo, fazendo uma matemática simples, o valor investido teria retorno em curto prazo: "Este investimento é equivalente a média 3 meses de uma portaria 12h/dia", finaliza.

Fonte: Quinyx, CAAT

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