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COVID-19: brasileiros inventam rodo com radiação UV para combater coronavírus

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Na pandemia da COVID-19, cientistas, médicos e pesquisadores estão buscando respostas para o controle do novo coronavírus (SARS-CoV-2), desde o desenvolvimento de uma vacina até a criação de aparelhos para higienização de ambientes. Este é o caso do Instituto de Física de São Carlos (IFSC), da Universidade de São Paulo (USP), produz equipamentos para descontaminação hospitalar. 

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Doados para Santa Casa da Misericórdia, em São Carlos, os rodos higienizadores, do Grupo de Óptica do IFSC, emitem radiação ultravioleta (UV). Assim, o equipamento é capaz de descontaminar pisos, por exemplo, eliminando vírus e reduzindo a propagação da COVID-19. Já que, em outras circunstâncias, os seres microscópicos poderiam persistir, durante muitas horas, em diferentes superfícies, como metais, vidros e plásticos, contaminando pessoas saudáveis.

Pode parecer estranho que uma espécie de rodo, adaptado com luz ultravioleta, seja capaz de eliminar vírus e bactérias de uma área, mas é exatamente isso. Para entender melhor como essa tecnologia funciona, o Canaltech conversou com Sebastião Pratavieira, professor da USP São Carlos e doutor em física pela mesma instituição, que participou da iniciativa. 

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Diferentes tipos de UV 

É importante entender que a luz ou a radiação ultravioleta é uma fração do espectro eletromagnético, que abrange os comprimentos de onda abaixo da luz visível, ou seja, aqueles que o olho humano não é capaz de enxergar. Por sua vez, essa fração é subdividida em outros três tipos: UV-A, com comprimentos de onda variando de 320 a 400 nanômetros (nm); UV-B, com comprimentos de onda variando de 280 a 320 nm; e UV-C, com comprimentos de onda variando de 200 a 280 nm.

Cada tipo dessa radiação UV é responsável por causar algum dano biológico. Por exemplo, a UV-A provoca alterações na pele, causando o envelhecimento precoce, enquanto isso a UV-B, além de atuar no envelhecimento da pele, é a principal responsável por causar mutações genéticas que levam ao desenvolvimento de câncer de pele. Já a UV-C, usada nos rodos higienizadores, é considerada a mais insalubre, ou seja, a faixa germicida.

"Todos os tipos são emitidos tanto por lâmpadas quanto pela luz solar. O que acontece é que a UV-C é, totalmente, absorvida pela camada de Ozônio, da Terra", comenta o professor Pratavieira. “Quanto à UV-C, não temos estudos específicos que demonstrem que ela é responsável pelo câncer de pele [igual as outras], mas é uma radiação extremamente perigosa, que oxida, leva a destruição de várias moléculas”, explica, sobre os riscos dessa radiação e do próprio equipamento, quando manuseado de forma errada.

Como funciona?

Segundo a equipe responsável pelo desenvolvimento, os rodos devem ser utilizados durante um minuto em cada metro quadrado da superfície (com a possível presença do novo coronavírus) a ser descontaminada, através da energia da luz. Afinal, luz é uma forma de energia e, nesse contexto, a luz ultravioleta é ainda mais potente.

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As luzes UV-A e UV-B, por exemplo, causam câncer, porque afetam o DNA humano e podem ocasionar uma mutação, o que leva à formação de um câncer, por exemplo. Já a UV-C é ainda mais energética que as anteriores. “Essa luz com mais energia destrói a capa lipoproteica do vírus [como, provavelmente, do novo coronavírus] e quebra também a cadeia de RNA do vírus. É como se estivéssemos causando 'um câncer' no vírus, o que leva àinativação do microrganismo", exemplifica o doutor em física.

Embora não se tenha comprovações específicas de que a radiação ultravioleta possa eliminar o coronavírus, "os indícios de levar à inativação usando a luz UV-C são bem grandes", esclarece o professor. Isso porque a descoberta do novo coronavírus ainda é muito recente e, além disso, a técnica já foi testada com sucesso em inúmeros outros tipos de vírus.

“Não se pode aplicar a técnica em pessoas e nem em animais", alerta Pratavieira. O equipamento é desenvolvido, exclusivamente, para superfícies inanimadas, como um corrimão de escada ou as paredes de um metrô, em ambientes com alta circulação de pessoas e altas chances de ser exposto ao coronavírus. 

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Usos comercias

“Antes do coronavírus, nossa ideia era comercializar o equipamento [os rodos doados para o hospital] para empresas alimentícias, supermercados e açougues. Em vez de passar um produto químico a todo momento no ambiente, eles poderiam passar o rodo para diminuir a contaminação de bactérias, por exemplo", afirma o pesquisador sobre os planos iniciais. 

Foi há dois anos que a equipe de físicos da USP percebeu que poderiam desenvolver sistemas para descontaminação UV-C, mais controlados. Isso porque, na internet, é fácil encontrar sites que comercializam supostos equipamentos com radiação ultravioleta. No entanto, como lembrar o professor Pratavieira "é uma luz perigosa e que deve ser aplicada de uma forma bem controlada".

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Atualmente, a equipe de São Carlos conta com dois tipos de equipamento semelhantes para a higienização. O que os difere são os tamanhos. Ambos com radiação ultravioleta, um deles é para uso doméstico e permite a limpeza de teclados e celulares, já o outro foi elaborado para a descontaminação de superfícies maiores, como  chão e paredes. 

Além da desinfecção de ambientes hospitalares, essa fonte de luz UV-C também é usada para, em conjunto com outros fatores, descontaminar órgãos humanos antes de uma cirurgia de transplante, em um trabalho de pesquisa realizado conjuntamente pelo IFSC e pela Universidade de Toronto, do Canadá.

Fonte: Com informações: Governo de São Paulo