COVID-19: Brasil, EUA e Rússia levarão mais tempo para controlar a epidemia

Por Fidel Forato | 25 de Maio de 2020 às 18h12
mohamed Hassan/Pixabay

De acordo com sites e plataformas que analisam os números da pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2), como a Universidade Johns Hopkins e o Worldometer, incluindo a OMS (Organização Mundial da Saúde), é possível ver uma queda dos números da COVID-19. Em muitos países do mundo, há uma clara tendência de queda nos casos da COVID-19 e nas mortes decorrentes da infecção respiratória.

Dados sobre os números de novos casos são muito baixos, como 0,3% na Alemanha e 0,25% na França, Itália e Espanha. Isso sem considerar a China, que há mais tempo está controlando a infecção. Para dimensionar a situação chinesa, no último relatório diário da OMS sobre a pandemia, só foram registrados três novos casos da COVID-19.

Enquanto casos da COVID-19 crescem nas Américas, a infecção perde força na Europa (Imagem: reprodução/ OMS)

Segundo especialistas em saúde pública, caso não haja um grande avanço da COVID-19, a pandemia pode terminar no próximo mês em muitos países (o que não significa o fim das medidas de proteção). Em contraponto a essa possibilidade, na quarta-feira (20), a OMS anunciou que os casos do novo coronavírus já tinham ultrapassado 5 milhões no mundo. Hoje (25), já são 5,555 milhões de contaminados, segundo dados do Worldometer.

Longe de ser global, no entanto, esse avanço em massa de infecções pelo coronavírus se deve em grande parte a alguns países das Américas, como os Estados Unidos, o Brasil, o México e o Chile — além da Rússia, Arábia Saudita e Índia, por exemplo, que têm mantido uma média de novos casos bem superiores a mil, fora do continente americano.

Quanto mais escura for a cor, maior foi o número de registros da COVID-19 nos últimos dias (Imagem: reprodução/ OMS)

Caso Brasil

“Não há dúvida de que o epicentro dessa pandemia está se mudando para o Brasil. Mas, no Brasil, a pandemia encontrará uma população muito, muito precária”, alerta o médico epidemiologista e presidente do International Longevity Center-Brazil, Alexandre Kalache, em entrevista para o Financial Times, sobre a situação da COVID-19 nas Américas.

“Se continuarmos nessa curva, alcançaremos 120.000 mortes. Podemos alcançar o total dos Estados Unidos nas próximas semanas”, defende o epidemiologista. Isso porque o número de infecções da COVID-19 segue em escalada pelo país. Ontem (24), o Ministério da Saúde registrava 363 mil casos de coronavírus, enquanto isso, na semana passada (17), eram apenas 241 mil casos.

Além disso, nove estados brasileiros já registram mais de 10 mil casos da infecção respiratória confirmados.

Nove estados brasileiros registram mias de 10 mil casos da COVID-19 (Imagem: reprodução/ Ministério da Saúde)

Além disso, nove estados brasileiros já registram mais de 10 mil casos confirmados. Segundo o Ministério da Saúde, até ontem (24), eram eles: São Paulo (82 mil contaminados); Rio de Janeiro (37 mil); Ceará (35 mil); Amazonas (29 mil); Pernambuco (27 mil); Pará (24 mil); Maranhão (21 mil); Bahia (13 mil); Espírito Santo (10 mil).

Segunda onda?

É paradoxal que, enquanto parte do mundo se prepare para a reabertura da economia com o controle de novos casos da COVID-19, outras regiões do mundo ainda enfrentem um clima bem mais grave de guerra contra o vírus. Segundo Jean-François Toussaint, professor de Fisiologia na Universidade de Paris, já é possível ser otimista em relação ao fim da pandemia em alguns pontos.

Em entrevista para a France Info, o professor explica que a propagação do coronavírus na França teve queda de 95% em relação ao pico da crise, entre fim de março e começo de abril. "O risco não desapareceu, mas é bem menor", defende.

Toussaint ainda lembra que "na Europa e no mundo, a mortalidade diminuiu em 50% em relação ao pico de 16 de abril. A doença recuou e até mesmo sumiu em 50 regiões do mundo". Esses são os casos da Nova Zelândia que está reabrindo, inclusive, suas escolas. No entanto, o pesquisador alerta sobre a probabilidade de uma segunda onda de COVID-19, caso os países relaxem demais em suas medidas de segurança.

Fonte: OMSUol e Financial Times

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