Coronavírus | Segunda onda pode causar grande impacto psicológico

Por Nathan Vieira | 22 de Junho de 2020 às 14h37
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Já não é exatamente um segredo a possibilidade de uma segunda onda de contágios da COVID-19, uma vez que embora determinados lugares estejam se livrando da quarentena aos pouquinhos, os casos só fazem aumentar. É o que tem acontecido nos Estados Unidos, por exemplo, e aqui no Brasil também, já que apesar de algumas cidades liberarem a abertura do comércio, não há queda no número de casos. Com isso, especialistas estão preocupados não apenas com a infecção em si, mas também com o fato de que isso possa abalar psicologicamente as pessoas.

A previsão de uma segunda onda de contágios no Brasil chegou a ser apresentada no dia 25 de março e publicada em 30 de março — antes mesmo de atingir o pico da primeira onda — na revista científica Fapesp, a partir da análise de um grupo de pesquisadores formado da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Fundação Getulio Vargas (FGV), ambas no Rio de Janeiro.

Em entrevista ao portal norte-americano Washington Examiner, Crystal Washington, professor de psicologia da Universidade de Connecticut declarou: "Uma segunda onda seria devastadora para muita gente. Há uma sensação de que passamos por um período realmente terrível e traumático e agora estamos em uma fase de reabertura e recuperação".

As pessoas começaram a deixar um pouco do estresse da COVID-19 para trás, de modo que uma segunda onda provocaria uma sensação totalmente nova e talvez mais profunda de medo e incerteza, segundo o especialista. "Sentiríamos que estamos retraumatizados e provavelmente mais angustiados e sem esperança do que na primeira vez", reiterou.

Uma das razões pelas quais o coronavírus está afetando tanto a saúde mental das pessoas é que elas não têm uma ideia clara de quando a emergência terminará, segundo Shauna Springer, psicóloga da instituição norte-americana Stella Center. "Muitos de nós poderiam tolerar até um período muito longo de quarentena se soubéssemos quando isso terminaria. Não saber uma data está trazendo consequências em nosso psicológico".

Segunda onda de contágios pode influenciar negativamente o psicológico das pessoas, por causa dos efeitos de estresse a longo prazo

O impacto de uma segunda onda será diferente dependendo das circunstâncias de uma pessoa, como o tipo de trabalho que ela possui. Alguém cujo trabalho pode ser facilmente transferido para a Internet e não tem medo de perdê-lo vai se sair melhor do que uma pessoa que teme perder seus negócios ou ficar desempregada novamente, segundo os especialistas. Alguns conseguiram voltar ao trabalho desde a reabertura do país, mas poderiam perder o emprego novamente se ocorresse uma segunda onda. "À medida que a economia se abre, eles começam a sentir uma nova esperança de recuperação financeira. É provável que essa pessoa sinta um impacto muito maior de uma segunda onda", disse Springer.

Outro motivo pelo qual a segunda onda seria pior que a primeira é o efeito do estresse prolongado, que pode ser mais prejudicial do que os estresses de curto prazo. Os especialistas da área da psicologia apontam que o maior risco de suicídio relacionado ao coronavírus será entre outubro e dezembro, se não houver novas ondas do vírus. Mas se houvesse uma segunda ou terceira onda, a situação mudaria drasticamente.

Fonte: Washington Examiner via Futurism

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