Coronavírus pode entrar em breve na segunda onda de infecções pelo Brasil

Por Claudio Yuge | 03 de Abril de 2020 às 16h04
Fotos Públicas

A China e outros países asiáticos que neste momento vivem um aparente controle da epidemia inicial do novo coronavírus (SARS-CoV-2), ainda estão em alerta. Isso porque, embora os números de casos confirmados e mortes tenham caído drasticamente, autoridades de saúde notaram que, diferente de outras crises do passado, esse patógeno parece persistir por mais tempo, principalmente porque ele ainda se alastra com muita amplitude e velocidade em várias partes do mundo.

Assim, as localidades que apresentaram o início da pandemia agora têm vivido uma segunda onda de infecções, especialmente por conta de agentes “importados”. E um estudo realizado recentemente por aqui indica que o Brasil também vai sofrer uma nova investida da doença muito em breve, após os primeiros registros de contaminação em solo nacional, no dia 25 de fevereiro.

Imagem: Reprodução/Marcelo Pinto - Fotos Públicas

Embora ainda não tenhamos nem mesmo chegado ao pico da primeira onda, há a possibilidade de termos a segunda prematuramente, especialmente se as medidas de distanciamento social e redução de deslocamento não estiverem em plena atividade. O maior alerta fica com relação à disseminação do novo coronavírus no trecho do litoral entre o Rio Grande do Sul e a Bahia, onde vive a maior parte da população brasileira.

Essa previsão foi apresentada no dia 25 de março e publicada na segunda-feira (30), na revista científica Fapesp, a partir da análise de um grupo de pesquisadores formado da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Fundação Getulio Vargas (FGV), ambas no Rio de Janeiro.

Projeção vem do aumento da movimentação do vírus nas metrópoles

“Acreditamos estar na iminência da segunda onda, porque os centros urbanos que tinham alta probabilidade de ter transmissão do vírus já estão apresentando casos de Covid-19”, disse o físico Marcelo Ferreira da Costa Gomes, da Fiocruz, que conduz o grupo de pesquisas. No dia 27 de março, quando a equipe avaliava a previsão inicial, o Brasil registrou 3.417 casos da infecção e 92 mortes. Além de São Paulo e do Rio, os mais afetados pela epidemia, outros sete estados acumulavam mais de 100 casos, quase sempre nas capitais.

No primeiro trabalho, os pesquisadores analisaram o fluxo aéreo de pessoas que partiam do Rio de Janeiro e de São Paulo, as duas primeiras cidades com registro de transmissão regular, para outras capitais e municípios de grande porte. Eles também consideraram a movimentação terrestre de pessoas que trabalham ou estudam em centros maiores e se deslocam para os menores, onde residem. Além de São Paulo e do Rio, outras metrópoles (Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Brasília, Recife e Salvador) e localidades do Vale do Paraíba apresentaram contágio.

Imagem: Reprodução/Revista Fabesp

Assim como na China e nos países asiáticos, há o risco dos casos importados por aqui, mas a dimensão do Brasil liga um alerta maior para uma segunda onda relacionada à dispersão regional, principalmente por meio dos municípios mais conectados por via terrestre às capitais onde a transmissão já está estabelecida.

Nesse segundo momento, a faixa comprometida estaria entre Porto Alegre e Salvador, além de municípios vizinhos das capitais na Paraíba e no Ceará; nos entornos de Cuiabá, Goiânia e Distrito Federal; e Foz do Iguaçu. O que será determinante para a velocidade de disseminação é a eficácia das medidas de distanciamento e isolamento social.

Pesquisadores avaliam eficácia do confinamento

Nas simulações mais recentes, os pesquisadores estimaram o efeito da restrição de viagens entre municípios e do distanciamento social para reduzir a disseminação do vírus. Eles verificaram que só se consegue retardar de modo significativo a chegada do vírus a esses municípios quando as duas diretrizes de restrição forem bem realizadas em conjunto.

Imagem: Reprodução/Revista Fabesp

De acordo com esse levantamento, sem distanciamento social, os primeiros casos surgem em um município de cinco a 20 dias depois da transmissão sustentada na capital. O menor prazo ocorre quando há uma redução de 30% nas viagens intermunicipais e, o maior, quando a limitação é de 80%. O tempo de contágio aumenta de 27 a 70 dias quando um terço da população do município isola-se em casa.

Fonte: Revista Fabesp  

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.