Coronavírus | Avanços nas descobertas podem auxiliar na criação de vacina

Por Nathan Vieira | 07 de Fevereiro de 2020 às 18h05
Chung Sung-Jun/Getty

No último dia 29, cientistas do Instituto Peter Doherty para Infecção e Imunidade, em Melbourne, na Austrália, anunciaram a capacidade de cultivar o coronavírus a partir de uma amostra de paciente em laboratório. Foi a primeira vez que o vírus foi cultivado em um laboratório fora da China. Pode não parecer, mas essa é uma boa notícia, pois permitirá que os pesquisadores desenvolvam rapidamente novos testes de diagnóstico para o vírus, que serão essenciais se os cientistas quiserem rastrear sua disseminação na China e no resto do mundo. A capacidade de cultivar o coronavírus Wuhan em laboratório também facilitará o desenvolvimento de uma vacina.

No momento, a obtenção de informações gira em torno de testes demorados, baseados em reação em cadeia da polimerase, para genes virais que só podem ser realizados em poucos laboratórios. A técnica por trás desse teste permite que os pesquisadores do laboratório façam milhões de cópias de uma seção específica do DNA, mas não é nem um pouco rápido. A tecnologia desenvolvida na Austrália ajudará a desenvolver novos e mais rápidos testes de diagnóstico baseados em anticorpos para infecções, o que deve permitir que os médicos identifiquem os pacientes infectados muito mais rapidamente e implementem medidas apropriadas de controle de infecções, conforme necessário.

Avanços nas descobertas podem auxiliar na criação de vacina do coronavírus

Isso permitiria aos cientistas obter uma imagem muito mais clara de como esse vírus é transmitido de pessoa para pessoa, quantos dos infectados ficam muito doentes e se existem grupos particularmente propensos a doenças graves e potencialmente letais.

Por sua vez, o desenvolvimento e a fabricação de uma vacina requerem grandes quantidades de proteínas virais que podem servir como antígenos que induzirão uma resposta imune nas pessoas, mas isso só pode ser feito com o crescimento de grandes quantidades de vírus nas células de um laboratório ou fábrica de vacinas. Acontece que o desenvolvimento, fabricação e teste de vacinas levam tempo. Teoricamente, as primeiras doses de uma nova vacina podem estar disponíveis no final da primavera, embora esse seja o melhor cenário. Mas, mesmo assim, a administração de doses suficientes de vacina pode levar um ano. Portanto, não é realista pensar que a vacinação nos permitirá controlar a doença em curto prazo.

Fonte: Popular Science

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