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Corações de porco transplantados em quem teve morte cerebral dão certo em testes

Por| Editado por Luciana Zaramela | 13 de Julho de 2022 às 12h42

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byrdyak/envato
byrdyak/envato

Na última terça-feira (12), médicos da New York University (NYU) anunciaram a realização de testes de transplante de coração de porco em pacientes com morte cerebral. Trata-se de um passo a mais na busca por uma alternativa para resolver a escassez no banco de órgãos.

Pode parecer estranho, mas os transplantes nos pacientes com morte cerebral foram um "sucesso". Isso quer dizer que os corações funcionaram normalmente, sem sinais de rejeição durante o acompanhamento, que durou três dias. Acontece que os órgãos dos porcos são naturalmente rejeitados pelo corpo humano, por isso precisam passar por uma modificação genética.

A NYU adquiriu os corações de porcos projetados por uma empresa chamada Revivicor Inc. e os examinou em busca de vírus, usando um protocolo de monitoramento aprimorado. Os corações não mostraram evidências de um vírus suíno chamado citomegalovírus, que é a principal preocupação durante esse procedimento.

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Na prática, os porcos tiveram quatro modificações genéticas para evitar essa rejeição do organismo, além do crescimento anormal de órgãos. Outras seis modificações também foram aplicadas para ajudar a prevenir possíveis incompatibilidades.

"Nosso objetivo é integrar as práticas usadas em um transplante cardíaco típico e cotidiano, apenas com um órgão não humano que funcionará normalmente sem ajuda adicional de dispositivos ou medicamentos não testados", afirmam os pesquisadores.

Não é a primeira vez que a ciência aposta em transplantes utilizando órgãos de porco: em outubro, uma equipe da própria NYU conseguiu transplantar um rim de porco em um paciente humano com sucesso. Para realizar esse procedimento, os cirurgiões anexaram o rim a um par de vasos sanguíneos fora do corpo de uma pessoa que teve morte cerebral.

Já neste ano, aconteceu o primeiro transplante de coração de porco do mundo. A operação durou sete horas e foi considerada como êxito, mas o paciente (que tinha uma doença cardíaca terminal) acabou morrendo alguns meses depois.

Fonte: Reuters