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Cientistas redirecionam inflamação para ajudar em tratamentos

Por| Editado por Luciana Zaramela | 11 de Dezembro de 2023 às 17h58

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Vecstock/Freepik
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A inflamação pode ser muito desagradável para o paciente, mas ao mesmo tempo é importante ao corpo humano para combater infecções e a curar feridas. E tendo em mente esse potencial, a comunidade científica atualmente se concentra na reprogramação de células para redirecionar esse processo, levando a tratamentos.

A concentração dos cientistas é desenvolver tratamentos que não eliminam completamente a inflamação, mas sim reprogramam as células que a alimentam.

Em doenças como o câncer, por exemplo, em que os tumores sequestram o lado curativo da inflamação para alimentar o seu crescimento, os tratamentos buscam retornar a inflamação de volta para um estado de combate para que possa atacar as células mutantes.

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A faculdade de medicina de Harvard define a inflamação como "a resposta natural do corpo para se proteger contra danos". Existem dois tipos: aguda — que ocorre quando você bate o joelho ou corta o dedo, onde o sistema imunológico envia um exército de glóbulos brancos para cercar e proteger a área, criando vermelhidão e inchaço visíveis — e crônica, que pode ocorrer em resposta a outras substâncias indesejáveis ​​no corpo e pode fortalecer doenças como cirrose ou artrite reumatoide.

Processo de inflamação

Durante a inflamação aguda, as células danificadas enviam sinais de “perigo” que atraem as células do sistema imunológico para o local do ataque. Uma vez ativadas, essas células produzem substâncias químicas chamadas citocinas.

À medida que esta inflamação aguda aumenta, o sistema imune aprende a atacar o inimigo de forma mais seletiva. Então na prática, o objetivo da inflamação é controlar uma infecção, impedir que ela se espalhe e então permitir que o processo de cura comece.

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Mas na inflamação crônica, neutrófilos, macrófagos e outros glóbulos brancos permanecem no local da inflamação. Eles produzem citocinas, que só aumentam a inflamação. A proliferação e mutação celular induzidas pela inflamação crônica podem criar um ambiente perfeito para o desenvolvimento do câncer.

Inflamação redirecionada

Um grupo da Universidade de Edimburgo (Reino Unido) descobriu que existem, na verdade, dois tipos de macrófagos: um tipo inflamatório prejudicial, denominado M1, e um denominado M2, que desativa a inflamação e estimula a regeneração dos tecidos.

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Assim, a equipe filtrou usou sinais químicos para estimular determinadas células a se tornarem a versão M2 regenerativa, e então levar esses macrófagos reprogramados de volta aos pacientes. A abordagem foi considerada segura e eficaz: o tratamento com macrófagos diminuiu o número de complicações.

No câncer, os macrófagos migram para os tumores e os atacam, mas as células cancerígenas liberam substâncias químicas que fazem com que os macrófagos mudem do tipo M1 pró-inflamatório para o tipo M2 regenerativo.

Em 2022, um estudo com diferentes tipos de câncer mostrou que o tratamento com esses macrófagos reprogramados, chamados CT-0508, era seguro e tinha resultados promissores. Assim, a ideia é que a ciência continue cada vez mais dedicada em analisar a inflamação e reprogramá-la a fim de desenvolver tratamentos.

Fonte: International Journal of Molecular Sciences, National Center for Biotechnology Information