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Cientistas podem ter achado a resposta para o TDAH em genes únicos

Por| Editado por Luciana Zaramela | 01 de Dezembro de 2023 às 12h57

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Thavis 3D/Unsplash
Thavis 3D/Unsplash

Embora o entendimento sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) tenha aumentado nos últimos anos — levando à melhora na identificação e diagnóstico —, ainda há muito que não sabemos sobre essa neurodivergência, especialmente os mecanismos biológicos por trás da sua ocorrência e da diferença nas percepções humanas. Um desses aspectos é o papel dos genes, já que não sabemos quais são responsáveis por essa hereditariedade.

Um novo estudo, no entanto, veio para mudar a percepção da ciência sobre essa herança: até agora, devido à complexidade do TDAH, se acreditava que ele teria de ser explicado por uma série de mutações nos genes, mas a inovadora pesquisa sugere que metade dos casos herdados venha de variações genéticas únicas, ou seja, em apenas um gene — e com fatores ambientais, ou epigenéticos.

Genética e o TDAH

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A questão sobre os genes múltiplos, embora muitas cientistas considerem essa hipótese “óbvia”, é que eles não conseguem explicar toda a herança genética do TDAH. Estudos analisando como os genes ligados ao transtorno são passados à frente só observaram cerca de 30% deles sendo herdados. Ao mesmo tempo, os sintomas físicos e comportamentais, quando observados nas linhagens familiares, têm cerca de 80% de herdabilidade. A conta não bate.

Para investigar a fundo, uma equipe liderada pela psicóloga Anne Arnett, da Universidade de Harvard, estudou o genoma completo de 77 crianças americanas com TDAH e suas famílias. Embora seja uma amostra pequena e o foco seja nos infantes, a teoria proposta explicaria as variações nas heranças únicas e múltiplas.

A chave está na metilação atípica. A metilação do DNA é um controle do corpo para mudar os níveis de expressão genética em diferentes células, acontecendo por conta de influências externas (ou seja, epigenéticas). Assim, fatores ambientais como estresse, atividades físicas, a dieta que um ascendente (como a avó, por exemplo) teve ou a poluição podem mudar os estados de metilação em vários genes diferentes. Isso causa um efeito dominó no corpo que pode, entre outras coisas, gerar o TDAH.

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Isso pode explicar como agentes externos contribuem para diferenças no desenvolvimento do cérebro e na expressão de sintomas de neurodivergência — níveis parecidos de variação genética já foram identificados no Transtorno do Espectro Autista (TEA), por exemplo. Já se suspeitava que ambas essas neurodivergências tinham alguma relação, já que até 70% dos indivíduos que apresentam uma delas também apresenta a outra, ou ao menos aparecem na mesma família.

Embora alguns dos traços desses transtornos sejam opostos, muitos são compartilhados, levando alguns cientistas a propor que seriam partes diferentes de um mesmo contínuo. Caso a teoria epigenética esteja correta, isso explicaria como tantos sintomas diferentes poderiam ocorrer.

Fonte: Journal of Attention Disorders, Adolescent Mental Health, JAMA Child & Adolescent Psychiatry, Nature Genetics, Research on Child and Adolescent Psychopathology, Genetic Disorders