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Ritalina | Remédio reduz produtividade em pessoas sem TDAH

Por| Editado por Luciana Zaramela | 19 de Junho de 2023 às 17h14

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Rawpixel/Envato
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Prometendo melhor o foco e a produtividade, inúmeros medicamentos são erroneamente apelidados como pílulas da inteligência. Nessa seleta lista, o metilfenidato (Ritalina) é um dos remédios que mais costumam ser associados com esses supostos benefícios — usado até por algumas pessoas que estudam para concursos ou mesmo vestibular. Só que o efeito tende a ser o oposto, ou seja: queda no desempenho cognitivo.

É o que apontam pesquisadores britânicos e australianos após identificarem o efeito contrário em testes clínicos: as pessoas sem déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) apresentam queda na produtividade com a medicação que estimula o sistema nervoso. Isso sem considerar o possível risco da dependência química, já que esses usos são feitos, na maioria das vezes, sem nenhum acompanhamento médico.

Efeito da ritalina para melhorar o foco em pessoas saudáveis

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“Nossa pesquisa mostra que os remédios que devem melhorar o desempenho cognitivo em pacientes [diagnosticados com algumas condições prévias, como TDAH] podem, na verdade, estar levando usuários saudáveis ​​a trabalharem mais, enquanto produzem um trabalho de qualidade inferior em um período maior de tempo”, afirma Elizabeth Bowman, cientista da Universidade de Melbourne, na Austrália, e a principal autora do estudo, em comunicado.

Em outras palavras, Bowman explica que os experimentos propostos revelaram que, ao tomar essas medicações, a pessoa leva mais tempo para entregar o mesmo trabalho que poderia ser feito sem o remédio. Além disso, o resultado ainda tende a ser inferior do que aquele que seria entregue sem nenhuma interferência química.

Aqui, é preciso pontuar que o estudo, publicado na revista Science Advances, investigou exclusivamente pessoas que usam Ritalina e outros medicamentos do tipo para burlar o cérebro, tentando aumentar o foco e as capacidades cognitivas. O uso conforme prescrito na bula para indivíduos com TDAH, por exemplo, não foi testado.

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Entenda o estudo que testou os “remédios da inteligência”

Para chegar a essas conclusões, os cientistas realizaram quatro ensaios randomizados duplo-cegos, para os quais foram recrutados 40 universitários australianos com idades entre 18 e 35 anos. Entre eles, ninguém tinha diagnóstico para déficit de atenção ou TDAH.

No total, os autores testaram os efeitos de três medicações, apelidadas popularmente como “drogas da inteligência”:

  • Metilfenidato (Ritalina);
  • Modafinil (Stavigile);
  • Dextroanfetamina.
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Os voluntários foram divididos em diferentes grupos, sendo que alguns receberam apenas um placebo (medicamento que não estimula o cérebro). Após começarem o tratamento proposto, os recrutados realizaram alguns exercícios com o objetivo de medir a capacidade cognitiva.

De forma geral, o uso dos remédios diminuiu levemente a taxa de precisão em cumprir as tarefas solicitadas. A medicação também aumentou, de forma mais acentuada, o tempo necessário e o esforço aplicado para que as atividades fossem concluídas.

Por exemplo, em pessoas saudáveis, a ritalina aumentou em 50% o tempo de realização das tarefas, quando comparadas com o grupo placebo (sem nenhuma medicação). Nesse contexto, Peter Bossaerts, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, reforça que "os nossos resultados sugerem que essas medicações não tornam [as pessoas] realmente 'mais eficientes'".

Agora, os pesquisadores sugerem que são necessários mais estudos para entender como esses medicamentos afetam negativamente o cérebro de pessoas consideradas saudáveis, mas auxiliam o foco e melhoram o desempenho entre aqueles com déficit de atenção, por exemplo.

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Fonte: Science Advances e Universidade de Cambridge