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Cientistas descobrem 20 genes que tornam a tuberculose resistente a antibióticos

Por| Editado por Luciana Zaramela | 15 de Agosto de 2022 às 20h50

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NIAID/CDC
NIAID/CDC

Após analisar mais de 10 mil amostras da bactéria Mycobacterium tuberculosiso agente infeccioso responsável pela tuberculose —, um consórcio internacional de cientistas descobriu que uma parcela significativa das cepas tinha algum grau de resistência aos antibióticos comuns. Além disso, foi possível identificar 20 genes associados à resistência antimicrobiana.

Publicado na revista científica PLOS Biology, o estudo foi dividido em dois artigos complementares. Durante o processo de pesquisa, foram avaliados dados coletados em 23 países, incluindo o Brasil, e as análises foram feitas pelo CryPTIC Consortium, liderado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido.

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Tuberculose tem cura?

A tuberculose (TB) é uma doença curável e evitável na maioria dos casos. Por exemplo, entre o leque de opções preventivas, está a vacina BCG (Bacilo de Calmette e Guérin), aplicada em recém-nascidos e que pode evitar as formas mais graves da doença.

Além disso, segundo os autores do estudo, 85% dos pacientes infectados pela bactéria podem ser tratados, com sucesso, após um tratamento de seis meses. Entre as medicações usadas, estão os antibióticos testados na pesquisa.

Apesar dessas alternativas, existe um conjunto de fatores que torna a doença responsável por um elevado número de óbitos todos os anos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que cerca de 1,5 milhão de pessoas morreram por causa da tuberculose em 2020.

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Isso pode ser explicado pela dificuldade de acesso à saúde e, consequentemente, ao tratamento adequado. Só que também pode ter como causa a resistência antimicrobiana, o que torna o recente estudo fundamental. Entender o que faz com que algumas cepas fiquem mais resistentes pode ajudar cientistas a desenvolverem novos medicamentos e salvar milhões de vidas.

Entre os estudos sobre resistência aos antibióticos

Na primeira parte do estudo, os pesquisadores analisaram informações sobre 12,2 mil amostras da bactéria da tuberculose, que foram processadas em laboratórios parceiros do consórcio. Cada uma foi sequenciada e testada para concentrações variadas de 13 antimicrobianos. Das amostras testadas, 6,8 mil eram resistentes a pelo menos um medicamento, incluindo 4,6 mil que eram resistentes a vários antibióticos.

Na segunda parte da investigação, foram analisadas as cepas da tuberculose que eram resistentes aos tratamentos considerados padrão. Dessa forma, foi possível identificar quais genes estão mais associados a este tipo de resistência. No total, 20 genes foram definidos como sendo os mais significativos.

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Agora, a equipe de cientistas espera que os dados obtidos pelo estude facilitem e inspirem outras pesquisas que buscam avaliar a questão da resistência antimicrobiana. Nos últimos anos, a resistência aos antibióticos tem se tornado cada vez maior. Inclusive, alguns especialistas apontam isso como uma pandemia silenciosa, mas também mortal.

Fonte: CryPTIC Consortium e PLOS Biology (1) e (2)