Cientistas cultivam células-tronco de esperma humano pela primeira vez

Por Nathan Vieira | 16 de Julho de 2020 às 09h40
Pixabay

Uma das ideias voltadas para o tratamento da esterilidade masculina é a terapia com células-tronco espermatogoniais (SSC), em que as células do semen são transferidas para um tubo de ensaio e cultivadas para se tornarem espermatozoides. No entanto, os especialistas enfrentaram dificuldades em identificar as condições corretas para que SSCs humanos cresçam em laboratório. Com isso em mente, na última segunda (13), pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia, em San Diego,  desenvolveram um método aparentemente eficaz para cultivar células com as características dos SSCs humanos.

"Acreditamos que nossa abordagem é um passo significativo para trazer a terapia com SSC para as clínicas", disse o autor do estudo, Miles Wilkinson, professor do Departamento de Obstetrícia, Ginecologia e Ciências da Reprodução da Faculdade de Medicina da UC San Diego.

Os SSCs podem gerar mais células-tronco e até mil espermatozóides a cada dois segundos — mas até este novo estudo, os cientistas não conseguiam diferenciar e isolar SSCs de outras células semelhantes nos testículos. "A seguir, nosso principal objetivo é aprender a manter e expandir os SSCs humanos por mais tempo, para que possam ser clinicamente úteis", ressaltou Wilkinson no comunicado.

Se isso acontecer, poderá abrir novas opções de parentalidade para pessoas trans ou não-binárias, por exemplo, bem como homens cisgêneros que não produzem espermatozóides devido à idade avançada ou por qualquer outro motivo ou disfunção. Mas, por enquanto, os cientistas estão apenas na fase de descobertas.

Avanços com célula-tronco

Estudos com células-tronco estão representando um grande avanço na área da saúde (Imagem: Pixabay)

Os especialistas estão conquistando grandes feitos a partir do uso de células-tronco. É o caso da UFRJ, por exemplo, que conta com um grupo que está trabalhando para desenvolver terapia com células-tronco em pacientes com quadros críticos. A pesquisa do grupo consiste em terapias com células mesenquimais de diferentes origens: medula óssea, tecido adiposo e cordão umbilical. 

Enquanto isso, uma equipe da Universidade de Osaka, no Japão, anunciou ter realizado o primeiro transplante, no mundo, de células musculares cardíacas — aquelas que se contraem sozinhas, no miocárdio —, criadas a partir de células-tronco pluripotentes induzidas (iPS).

Fonte: Phys via Futurism

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