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Câncer colorretal tem ligação com bactérias da boca

Por| Editado por Luciana Zaramela | 15 de Abril de 2024 às 12h42

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Gerd Altmann/Pixabay
Gerd Altmann/Pixabay

Nos Estados Unidos, pesquisadores do Centro de Câncer Fred Hutchinson descobriram a ligação entre o câncer colorretal grave e a disseminação de um subtipo específico da bactéria Fusobacterium nucleatum. Este patógeno normalmente se prolifera na boca, causando gengivite, sem maiores complicações, mas o seu impacto é outro, quando chega ao cólon e ao reto.  

Para chegar a essas conclusões, foram realizadas análises em tumores de aproximadamente 200 pacientes e testes pré-clínicos com roedores. E, a partir dessa descoberta, a equipe espera apoiar o desenvolvimento de novos métodos de rastreio do câncer colorretal, sem a necessidade de uma colonoscopia — método considerado invasivo.

Além disso, a relação entre o câncer de cólon e reto e a bactéria que vive na boca fornece insights sobre o aumento de casos deste tipo de tumor em jovens, entre os 20 e 49 anos. Em 2030, este câncer pode se tornar um dos mais comuns para essa faixa etária, segundo estudo da American Cancer Society

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Bactérias na boca e câncer colorretal

“Temos observado consistentemente que pacientes com tumores colorretais, contendo Fusobacterium nucleatum, têm baixa sobrevida e pior prognóstico em comparação com pacientes sem o micróbio”, alerta Susan Bullman, cientista do centro de pesquisa norte-americano e uma das autoras do estudo, em nota.

No entanto, esta relação parece ser mais forte com um subtipo específico da bactéria, o Fna C2. O patógeno com mutações foi encontrado em níveis elevados em cerca de 50% dos casos de câncer no cólon e no reto, analisados na pesquisa publicada na revista Nature

“Estamos descobrindo que um subtipo específico deste micróbio é responsável pelo crescimento do tumor”, acrescenta Bullman.

Subtipo de bactéria oral

Diferente da maioria das bactérias da espécie Fusobacterium nucleatum, o subtipo recém-identificado consegue se infiltrar no tumor e tem pelo menos 195 diferenças genéticas em relação à versão “original”.

Isso faz com o patógeno consiga sair da boca, atravessar o estômago, resistir ao ácido estomacal e se proliferar no trato gastrointestinal inferior, onde agrava quadros oncológicos. 

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Nos testes com ratos, a equipe infectou parte dos animais com o novo subtipo, enquanto outro grupo foi contaminado pela versão original. A presença do subtipo da bactéria oral foi associada com um número maior de tumores. Além disso, o nível de inflamação celular era maior, o que apoia a ideia de que elas contribuem para o desenvolvimento do câncer colorretal. 

Possível vacina contra câncer colorretal

A partir disso, os pesquisadores planejam criar formas de rastreio desse subtipo de bactéria, que devem ser testadas em pessoas com maior risco de câncer colorretal. Outra iniciativa envolve formas de combater o patógeno, de forma localizada.

Por fim, a descoberta pode servir como base para uma nova vacina, com ação semelhante à vacina contra o HPV. Neste caso, sabe-se que alguns subtipos do vírus do papiloma humano aumentam o risco de câncer, como o câncer de colo de útero. Então, as vacinas imunizam contra esses vírus, reduzindo o risco de infecção e, consequentemente, protegendo contra os cânceres. É possível que o mesmo esquema funcione contra o câncer colorretal, mas estas pesquisas ainda não começaram.

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Fonte: Nature e Centro de Câncer Fred Hutchinson