Cães podem farejar casos da COVID-19 com 94% de precisão, segundo estudo alemão

Por Fidel Forato | 28 de Julho de 2020 às 17h20
Couleur/Pixabay

Conforme a pandemia de COVID-19, causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), continua a se espalhar e já contaminou mais de 10 milhões de pessoas em todo mundo, a identificação precoce - de preferência, em tempo real - da doença pode interromper a formação de cadeias de contágio. Para esse desafio, um grupo de pesquisadores da Alemanha apostou no olfato canino e conseguiu desenvolver um treinamento especial para cachorros.

Embora a ideia de cães farejarem casos da COVID-19 seja nova, há muito tempo cachorros já conseguem farejar outras doenças que atingem, diretamente, os seres humanos. Por exemplo, esses animais já identificaram casos de câncer, malária e algumas infecções virais. Isso porque cães têm receptores olfativos até 10 mil vezes mais poderosos e precisos que os humanos.

Após treinamento especial, cães conseguem farejar com sucesso amostras positivas da COVID-19 (Foto: Dimitris Vetsikas/Pixabay )

Agora, um novo estudo, conduzido pela Universidade de Medicina Veterinária de Hannover, pela Escola de Medicina de Hannover e pelas Forças Armadas alemãs, descobriu que, caso sejam treinados, os cães também podem identificar a diferença entre amostras de saliva humana infectadas pelo coronavírus e amostras não infectadas. Isso com uma taxa estimada em 94% de acerto.

Focinhos em ação

Durante o estudo, os pesquisadores treinaram oito cães das Forças Armadas da Alemanha por uma semana para identificarem, com a maior precisão, casos da COVID-19. Nessa etapa, após a indicação da amostra de saliva positiva, o cão era automaticamente recompensado com comida ou com uma bolinha.

A partir de então, os cães treinados testaram a saliva de mais de mil pessoas que estavam saudáveis ​​ou infectadas com o coronavírus, precisando distinguir os positivos. Durante as análises, nem os tratadores de cães e nem os pesquisadores sabiam quais amostras estavam contaminadas ou não. Mesmo assim, os humanos ficavam, obrigatoriamente, atrás dos animais durante o experimento para que não influenciassem de nenhuma forma os resultados.

"Durante a apresentação de 1.012 amostras aleatórias, os cães alcançaram uma taxa média geral de detecção de 94% (± 3,4%) com 157 indicações corretas de positivo, 792 rejeições corretas de negativas, 33 indicações incorretas de rejeições negativas ou incorretas de 30 apresentações positivas de amostras", detalham os autores do estudo em artigo publicado na revista BMC Infectious Diseases. Esses acertos e erros foram verificados, posteriormente, através de análise de vídeo com os registros de data e hora dos testes.

Uma curiosidade é que, para se evitar possíveis vieses causados em relação aos odores específicos de hospitais, as amostras contaminadas pelo novo coronavírus (as positivas) foram obtidas em dois hospitais diferentes, o que impediria, em tese, que os cães identificassem o cheiro específico do hospital e, não, o "cheiro" da COVID-19 na saliva.

Farejando alterações matabólicas

Segundo Maren von Koeckritz Blickwede, professora da universidade que conduziu o estudo, os cães são capazes de identificar casos da COVID-19 porque os processos metabólicos de uma pessoa infectada "mudam completamente" durante a duração de uma doença. "Pensamos que os cães são capazes de detectar um cheiro específico das alterações metabólicas que ocorrem nesses pacientes", aposta Blickwede.

"Nosso trabalho fornece as primeiras etapas do desenvolvimento de um novo método de rastreamento SARS-CoV-2. Nossos critérios de inclusão para as amostras coletadas eram bastante inespecíficos e não estratificados pela gravidade dos sintomas, status da doença ou carga viral [dos pacientes]", alertam os autores da pesquisa sobre a necessidade de os estudos serem continuados.

Para Blickwede, o próximo passo é treinar cães para diferenciar amostras da COVID-19 de outras doenças respiratórias, como a gripe. Dessa forma, é possível que, um dia, cães possam trabalhar na detecção de casos de coronavírus em áreas públicas, como aeroportos, eventos esportivos e outras reuniões de massa, da mesma forma que atuam em busca de drogas.

A seguir, confira o vídeo do experimento onde os cães detectam amostras contaminadas com o novo coronavírus, em alemão:

Fonte: CNBC  

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