COVID-19 | Coronavírus circula em morcegos há décadas, diz estudo

Por Nathan Vieira | 28 de Julho de 2020 às 16h10
Edward Jenner/Pexels

Nesta terça-feira (28), uma equipe internacional de pesquisadores e cientistas chineses, europeus e norte-americanos da Universidade de Glasgow anunciou a descoberta de que a linhagem que deu origem ao coronavírus estava circulando em morcegos há décadas e provavelmente inclui outros vírus com a capacidade de infectar seres humanos.

Segundo a análise, diferentes regiões do genoma do vírus podem ser derivadas de várias fontes, o que dificultou a reconstrução das origens do SARS-CoV-2. Mas para fazer essa reconstituilção, a equipe usou três abordagens bioinformáticas diferentes para identificar e remover as regiões recombinantes no genoma da SARS-CoV-2. Em seguida, os cientistas reconstruíram histórias filogenéticas para as regiões não recombinantes e as compararam entre si para ver quais vírus específicos estavam envolvidos em eventos no passado. 

Os pesquisadores descobriram que a linhagem de vírus à qual o SARS-CoV-2 pertence divergiu de outros vírus de morcego cerca de 40 a 70 anos atrás, e que uma das características mais antigas que o SARS-CoV-2 compartilha com seus "parentes" é o ligação ao receptor localizado na proteína Spike, que permite que o vírus reconheça e se ligue aos receptores nas superfícies das células humanas. "Isso significa que outros vírus capazes de infectar seres humanos estão circulando em morcegos na China", disse David L. Robertson, professor do Centro de Pesquisa de Vírus da Universidade de Glasgow.

Pesquisadores descobriram que a linhagem de vírus à qual o SARS-CoV-2 pertence divergiu de outros vírus de morcego cerca de 40 a 70 anos atrás (Imagem: Pixabay)

A equipe concluiu que a prevenção de futuras pandemias exigirá uma melhor amostragem em morcegos selvagens e a implementação de sistemas de vigilância de doenças humanas capazes de identificar novos patógenos em humanos e responder em tempo real. "A chave para uma vigilância bem-sucedidaé saber quais vírus procurar e priorizar aqueles que podem infectar prontamente os humanos. Deveríamos estar mais bem preparados para um segundo vírus SARS", apontou Robertson.

Maciej Boni, professor de biologia, acrescentou: "Estávamos atrasados ​​em responder ao surto inicial de SARS-CoV-2, mas essa não será nossa última pandemia de coronavírus. Um sistema de vigilância muito mais abrangente e em tempo real precisa ser implementado para detectar vírus".

Fonte: Phys.org

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