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Brasil coleta amostras de aves e morcegos para impedir futura pandemia

Por| Editado por Luciana Zaramela | 13 de Março de 2023 às 11h14

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byrdyak/Freepik
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Para se antecipar ao surgimento de novas doenças, cepas da gripe aviária e até futuras pandemias, cientistas brasileiros investigam, de forma preventiva, agentes infecciosos que vivem em animais silvestres, como morcegos e aves. Até o mês de fevereiro, 7,5 mil amostras de sangue foram coletadas e, agora, são analisadas em laboratório.

A iniciativa que busca impedir que uma nova doença com potencial pandêmico surja no Brasil é liderada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), através da Rede Previr. No total, 16 instituições de pesquisa e universidades brasileiras contribuem com a estratégia de controle, monitoramento e prevenção de patógenos desconhecidos.

Por que é importante monitorar vírus e bactérias em animais selvagens?

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Para dimensionar o problema, mais de 70% das doenças emergentes — vírus que causaram epidemias e pandemias, como a Gripe Espanhola — eram provenientes de animais silvestres, explica Edison Luiz Durigon, chefe do Departamento de Microbiologia da Universidade de São Paulo (USP) e cocoordenador da Rede Previr MCTI

Buscando se antecipar aos novos patógenos, os cientistas buscam animais que são "reservatórios de vírus", ou seja, espécies que carregam um vírus potencialmente perigoso para humanos, mas que não desenvolvem a doença. Na ciência, um dos animais mais associados com este tipo de risco são os morcegos — só no Brasil são cerca de 180 espécies.

“Toda vez que o homem entra em um ambiente que não é dele, um ambiente preservado, ele muda a biota e faz com que novos vírus apareçam. Vírus que estavam acostumados a serem transmitidos entre animais silvestres passam a ter o homem como alvo”, detalha o pesquisador Durigon sobre o risco de doenças zoonóticas, em comunicado.

Vale lembrar que, anteriormente, um relatório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) já apontou para o alto risco de surtos de zoonoses — doenças que são transmitidas de animais para humanos — ocorrerem no país. Entre os fatores de risco, estão: a grande diversidade de espécies, o desmatamento de áreas florestais, a caça ilegal e as mudanças climáticas.

O que os cientistas descobriram ao analisar morcegos e aves no Brasil?

Considerando apenas os morcegos brasileiros, mais de 3,6 mil amostras foram coletadas e, desse total, 1,4 mil foram processadas (analisadas). No momento, os pesquisadores identificaram 146 coronavírus, sendo 12 caracterizados como paramyxovirus, incluindo um vírus pertencente ao mesmo gênero viral do agente infeccioso que causa o sarampo.

Desde agosto do ano passado, o grupo também analisa aves silvestres migratórias. Por causa do atual surto causado pelo vírus Influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1), na América do Norte, os cientistas estão focando na análise de espécimes das ordens Charadriiformes e Anseriformes, que são consideradas hospedeiros naturais do patógeno.

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Após analisar amostras coletadas de 667 aves migratórias, a equipe identificou um vírus de influenza aviária de baixa patogenicidade, do subtipo H11N2, no Rio Grande do Sul. Agora, os testes e a coleta de amostras continuam para impedir que uma cepa de alta patogenicidade chegue ao Brasil, consiga se disseminar entre os animais e venha a infectar humanos.

Fonte: MCTI