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Biomarcador indica se neurônios irão se regenerar após lesões

Por| Editado por Luciana Zaramela | 18 de Outubro de 2023 às 11h06

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Pingingz/Envato
Pingingz/Envato

Entender os mecanismos por trás do sistema nervoso central é algo que ainda intriga a ciência. Neste ponto, pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego (UC San Diego), nos Estados Unidos, descobriram um possível biomarcador que indica se um neurônio irá se regenerar, após uma lesão no cérebro ou na medula espinhal. De forma diferente, outros processos podem gerar novos neurônios, mesmo em adultos.

Para identificar a atividade do neurônio em se regenerar, os pesquisadores usaram uma técnica conhecida como sequenciamento de RNA unicelular, capaz de determinar quais genes são ativados em células individuais. Por enquanto, a descoberta foi validada em modelos animais (camundongos), conforme indica o estudo publicado na revista científica Neuron.

Neurônios se regeneram?

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Sim, é normal escutar que os neurônios não se regeneram, mas isso é uma meia-verdade. Alguns se regeneram mais do que outros e, independente disso, tendem a ter uma velocidade de regeneração bastante lenta. O local da lesão também é decisivo para supor a capacidade de “cura”.

“Se você sofrer uma lesão no braço ou na perna, esses nervos podem se regenerar e muitas vezes é possível fazer uma recuperação funcional completa, mas este não é o caso do sistema nervoso central [SNC]”, explica Hugo Kim, o primeiro autor do estudo, em nota.

“É extremamente difícil se recuperar da maioria das lesões cerebrais e da medula espinhal, porque essas células têm capacidade regenerativa muito limitada. Uma vez que eles se vão, eles se vão”, acrescenta Kim. Por isso, é tão importante descobrir indicadores de uma possível regeneração.

No estudo com roedores, os cientistas se concentraram na capacidade de regeneração dos neurônios do trato corticoespinhal, uma parte crítica do SNC que ajuda a controlar os movimentos. Estes estão entre os menos propensos a regenerar os axônios — estruturas longas e finas que essas células usam para se comunicar com as outras.

Buscando o biomarcador

Após estabelecer o alvo, os pesquisadores usaram o sequenciamento de RNA unicelular para analisar a expressão gênica em neurônios de camundongos com lesões na medula espinhal. Buscando potencializar esse processo, eles recorrem às técnicas já conhecidas de regeneração, mesmo com eficácia limitada. Em seguida, compararam os dados de sequenciamento dos neurônios que se regeneram com os que se mantiveram lesionados.

Com ajuda de um algoritmo, foi possível identificar o padrão único de expressão gênica relacionado com a regeneração. Este conjunto de modificações foi apelidado de Classificador de Regeneração, como se fosse uma impressão digital molecular indicando a provável ocorrência do processo.

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Os atuais resultados são bastante promissores, mas a pesquisa precisa continuar. A ideia é testar esse Classificador em humanos, o que pode abrir precedentes para uma ferramenta de uso clínico para determinar as chances dos neurônios se recuperarem após uma lesão. O biomarcador também poderá ajudar em pesquisas que buscam novas terapias para estimular esse processo de cura.

Fonte: Neuron e UC San Diego