Bill Gates chama conspirações contra vacina de "estúpidas"

Por Rafael Arbulu | 05 de Junho de 2020 às 14h25
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Se tem algo que parece acompanhar todos os bilionários (além do dinheiro, evidentemente) é teoria conspiracionista: George Soros financiaria guerrilhas de esquerda, Jeff Bezos teria ateado fogo em florestas para que pessoas buscassem por “Amazon Fire” no Google, empresários de multinacionais das telecomunicações estariam forçando a doção do 5G para disseminar o novo coronavírus por ondas de rádio... e por aí a lista segue.

Atualmente, quem vem sendo alvo de teorias do tipo é o bilionário, filantropo, co-fundador e ex-CEO da Microsoft, Bill Gates: uma das figuras mais proeminentes na luta contra a atual pandemia da COVID-19, Gates vem despendendo bilhões — parte disso, do próprio bolso — para financiar pesquisas que levem à vacina da nova doença. Com isso, ele também se tornou alvo de afirmações conspiracionistas: tem gente que afirma que ele está fazendo isso sob comando de empresas farmacêuticas para ganhar bilhões de dólares, E tem gente que acredita piamente que ele estaria trabalhando em um microchip que, sob a desculpa de ser um método de distribuição de remédio contra a COVID-19, permitiria que “pessoas no poder” controlassem a população de alguma forma.

Bill Gates é alvo constante de conspiracionistas que dizem que ele está em conluio com empresas farmacêuticas para ganhar bilhões com a vacina da COVID-19, mas filantropista bilionário acha que teorias do tipo são "estúpidas" (Imagem: Captura/YouTube)

E quem fica impressionado com isso é o próprio Bill Gates: “é quase difícil negar essas coisas porque são tão estúpidas ou estranhas que apenas mencioná-las por aí parece dar a elas alguma credibilidade”, disse o filantropo durante videoconferência com jornalistas da imprensa norte-americana. “De certa forma, é tão bizarro que você quer enxergar isso com um tom de humor, mas eu acho que não é uma coisa tão engraçada assim. Eu nunca me envolvi em nada relacionado a microchips na vida”.

A coletiva virtual foi realizada pouco antes de um anúncio feito pela Bill & Melinda Gates Foundation, a entidade filantrópica aberta por Gates junto de sua esposa, Melinda, que também participou da reunião e disse que as teorias são “tão idiotas” que eles às vezes nem sabem como responder a elas.

A fundação criada pelo casal anunciou a contribuição de US$ 1,6 bilhão (R$ 7,96 bilhões na cotação da manhã de 5 de junho de 2020) à Gavi Vaccine Alliance, um esforço global coletivo de pesquisas e distribuição de medicamentos para várias doenças, “para entregar vacinas que podem salvar vidas nos países mais pobres do mundo”, segundo informou a fundação. Além disso, outros US$ 100 milhões (quase R$ 500 milhões) já foram destinados especificamente para as pesquisas de busca para a vacina da COVID-19. “Se a pandemia atual nos ensinou alguma coisa, foi a importância da vacinação contra doenças letais. As doações e compromissos assumidos pelos líderes globais vão ajudar a Gavi a salvar ainda mais vidas”, disse Melinda Gates.

Bill Gates, junto de sua esposa Melinda, despendem bilhões de dólares em ações filantrópicas, com recentes esforços focados no financiamento de pesquisas para a vacina da COVID-19 (Foto: Frederic Stevens/Getty Images)

Apesar dos esforços nobres do casal e de sua fundação, Bill Gates minimizou os potenciais problemas que as falsas informações a seu respeito podem trazer a longo prazo: “se você não tem uma aceitação ampla, então isso [as conspirações] não terá o efeito dramático que você espera que tenha, o que significa que o seu risco de reintrodução é muito baixo (...). A desinformação poderia nos atrapalhar em algum ponto específico, mas eu não diria que ela está nos machucando a essa altura”.

Alvo preferencial

Um estudo recentemente publicado pelo jornal americano The New York Times concluiu que, hoje, Bill Gates é o alvo majoritário de conspiracionistas, que elaboram as teorias mais variadas possíveis para posicionar o ex-CEO da Microsoft como seu personagem principal.

Boa parte da fundamentação de tais teorias pode ser rastreada até uma palestra dada por Gates em 2015, durante um evento do TED Talks. Na ocasião, o executivo afirmou que a próxima grande ameaça à humanidade não seria uma guerra ou algum conflito do tipo, mas sim uma pandemia, um vírus. Na semana de divulgação do estudo do jornal, esse vídeo havia recebido mais de 25 milhões de visualizações no YouTube — isso, fora a audiência que ele já tinha antes, com adeptos do movimento antivacina, personalidades da extrema-direita e até membros do QAnon chamando isso de “prova irrefutável” de algum tipo de plano para ganhos pessoais.

“De acordo com o levantamento publicado no New York Times, há cerca de 16 mil menções a teorias envolvendo o ex-CEO da Microsoft no Facebook, com um volume de curtidas e comentários próximo a 900 mil. No YouTube, os 10 vídeos mais populares que veiculam as fake news relacionando Gates e o novo coronavírus tiveram, somados, mais de 5 milhões de visualizações entre março e abril de 2020”, publicou o Canaltech em 17 de abril de 2020.

Na ocasião, o presidente da Bill & Melinda Gates Foundation, Mark Suzman, respondeu à matéria do New York Times: “é estressante ver que tem pessoas por aí espalhando desinformação quando deveríamos, todos nós, procurar por novas formas de colaborar e salvar vidas”.

Fonte: BGR

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