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Mito ou verdade: quem tem muita barba tem muita testosterona?

Por| Editado por Luciana Zaramela | 16 de Novembro de 2021 às 15h40

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Shttefan/Unsplash
Shttefan/Unsplash

A barba costuma despertar a atenção — inclusive, pode ser um atrativo sexual — e muitos homens cultivam por anos este visual, considerado como "másculo". A barba também é vista como um potencial marcador de alta concentração do hormônio testosterona e carrega sinais de dominância e autoconfiança nos homens. No entanto, essa relação não é necessariamente verdadeira.

Publicado na revista científica Archives of Sexual Behavior, um novo estudo não encontrou nenhuma relação entre a quantidade de pelos faciais e a autopercepção de dominância em homens e seus níveis de testosterona. A pesquisa foi liderada por membros do Instituto de Psicologia da Universidade de Wrocław, na Polônia.

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Entenda a pesquisa

No estudo, os pesquisadores poloneses coletaram dados de 97 homens jovens e fisicamente ativos. Como muitos fatores podem influenciar os níveis de testosterona, os pesquisadores usaram diferentes técnicas para controlar as amostras no estudo. Por exemplo, a medição dos níveis de testosterona dos participantes só era feita entre 7h e 11h, já que os níveis do hormônio tendem a diminuir naturalmente ao longo do dia.

Além disso, os participantes foram orientados a não fumar, beber álcool ou fazer exercícios 24 horas antes do estudo, e também receberam recomendações para que evitassem comer ou escovar os dentes duas horas antes do teste — isto porque os níveis de testosterona foram medidos através de amostras de saliva.

Etapas do estudo sobre masculinidade

Na primeira etapa do estudo, os voluntários responderem algumas perguntas relacionadas à idade, peso, altura e detalhes sobre as suas barbas. Em seguida, os pesquisadores validaram as medidas das barbas, através de paquímetros digitais.

Numa outra etapa, a primeira amostra de saliva do voluntário foi coletada. Depois, os participantes realizaram uma atividade física — no caso, andar de bicicleta — e, após 12 minutos, uma segunda amostra de saliva foi coletada.

Neste intervalo de alguns minutos, os homens responderam a um novo questionário sobre sua autopercepção de dominância (questões psicológicas). Nele, os entrevistados tiveram que avaliar se concordavam com algumas afirmações, como "sou eu quem influencio os outros, e não ao contrário".

Afinal, a barba tem importância?

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De fato, o estudo não identificou nenhuma evidência de que as barbas sejam indicadores confiáveis ​​de um sinal de dominância do indivíduo ou de níveis elevados de testosterona. No entanto, não foi possível estabelecer nenhuma relação negativa. É como se a barba fosse indiferente a esses padrões e funcionasse meramente como adereço.

Por um lado, julgava-se a barba como um símbolo de masculinidade — o que demonstrou ser uma "mentira" biológica. Por outro lado, algumas interpretações enxergavam a barba como uma característica "enganadora". Seria como se a barba fosse usada para mascarar o fato de que aquele indivíduo tinha uma baixa concentração de testosterona e alto nível de insegurança.

Para ilustrar essa desconfiança, um exemplo de "sinalização desonesta" — quando algo apenas parece ser — é o caranguejo-violinista (Uca pugnax) macho. Quando perde a sua garra, ele consegue criar uma ainda maior que a anterior. No entanto, a nova garra é mais fraca em termos de força. Independente disso, a estética confunde predadores e pode ser uma aliada na reprodução.

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A teoria dos autores é que a presença (ou ausência) dos pelos faciais masculinos funcione apenas como uma estratégia estética, baseada na cultura. Afinal, elas podem ser facilmente removidas. Dessa forma, a comparação precisaria ser feita entre homens que nunca desenvolveram barbas e aquelas que a têm, o que não ocorreu neste estudo.

"Os resultados mostraram que o comprimento da barba (medido diretamente e autorrelatado) não estava relacionado aos níveis de testosterona ou dominância", afirmam os autores. “Nós encorajamos fortemente outros estudiosos a replicar nossas descobertas com amostras maiores, para que futuras meta-análises possam elucidar as associações entre barbas, níveis de testosterona e dominância”, concluem os pesquisadores.

Para acessar o estudo completo, publicado na revista científica Archives of Sexual Behavior, clique aqui.

Fonte: ScienceAlert