Banco de dados desatualizado dificulta doação de medula óssea, segundo USP

Por Nathan Vieira | 15 de Março de 2021 às 21h20
Arek Socha/Pixabay

Na última quinta-feira (11), o professor Eduardo Rego, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), especialista em Hematologia, revelou ao Jornal da USP a principal dificuldade nas doações de medula óssea: o banco de dados desatualizado.

Acontece que, de acordo com o especialista em Hematologia, o Brasil conta com bons registros de doadores de medula óssea, e devido à variabilidade genética da população brasileira, a doação é incentivada para abranger os diversos pacientes na fila de espera. Em contrapartida, a maior dificuldade é encontrar os doadores cadastrados por conta dos dados desatualizados.

“Nosso maior desafio é manter sempre um banco extenso e atualizado de indivíduos que de fato estejam dispostos a doar medula óssea, caso apareça um receptor. Um dos problemas que nós temos é que às vezes o indivíduo está registrado no banco, se encontra um receptor compatível, mas o indivíduo não é rastreável. Por isso, é importante ter bastante consciência do que está envolvido quando você se candidata a ser um doador de medula óssea”, relata o especialista. 

A importância do transplante de medula óssea

O transplante de medula óssea pode ajudar no tratamento da leucemia, proliferação que causa hemorragia (Imagem: Gerd Altmann/Pixabay)

O  transplante de medula óssea é um dos tratamentos para a leucemia, por exemplo, que é basicamente uma proliferação maligna de células imaturas, o que prejudica a imunidade e a coagulação do sangue. “Quando a gente tem algumas mudanças genéticas adquiridas nessas células na medula, elas passam a proliferar de maneira inadequada, além também de outros processos como a própria regulação da morte natural das células, que é um processo de apoptose e de senescência e também de outros mecanismos de controle ali do próprio ambiente medular”, explica o professor.

Com isso, é possível ressaltar a importância do diagnóstico para aumentar as chances de cura das leucemias. O especialista explica que quanto mais cedo a doença é descoberta, menor é a massa tumoral, facilitando a erradicação.

“É sempre importante o diagnóstico precoce para doenças malignas, isso porque estamos falando de uma doença que se caracteriza por uma infiltração de células que perderam sua capacidade de controle de proliferação e morte celular. Quanto antes o diagnóstico, menor é a massa tumoral. Sendo menor a massa tumoral, torna-se mais fácil o tratamento e a erradicação desses clones malignos que caracterizam a doença”, afirma o professor.

Fonte: Jornal da USP

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