AstraZeneca e criadores da Sputnik V assinam acordo para testar combinação

AstraZeneca e criadores da Sputnik V assinam acordo para testar combinação

Por Nathan Vieira | 21 de Dezembro de 2020 às 23h00
Cottonbro/Pexels

A corrida das vacinas tomou um rumo inesperado, mas bastante promissor: a soma de duas fortes aliadas. No último dia 11, a farmacêutica AstraZeneca anunciou que iria testar uma combinação de sua vacina experimental contra a COVID-19 com o imunizante russo Sputnik V. Nesta segunda-feira (21), a empresa britânica assinou o acordo com o Instituto Gamaleya, responsável pelo desenvolvimento da candidata russa.

Ao anunciar esse acordo, os envolvidos (O Fundo Russo de Investimento Direto, o Instituto Gamaleya e as empresas farmacêuticas AstraZeneca e R-Pharm) garantiram que os ensaios começarão "em breve", mas ainda não há uma data específica. A ideia do acordo é avaliar a imunogenicidade e segurança do uso combinado de um dos componentes da Sputnik V e um dos componentes da vacina AZD1222, desenvolvida pela AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford.

O interessante é que a história toda começou no Twitter: a AstraZeneca tinha anunciado a possibilidade de combinar as duas vacinas e os próprios desenvolvedores da Sputnik V usaram a rede social para sugerir que a AstraZeneca tentasse a combinação para aumentar a eficácia da vacina.

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

Ainda não foram disponibilizados detalhes sobre os testes combinados ou sobre dosagens das vacinas, mas no caso disso funcionar, a Rússia já anunciou que poderá produzir, em conjunto, uma nova vacina contra a COVID-19, somando as duas fórmulas.

AZD1222 e Sputnik V

AstraZeneca e Instituto Gamaleya, responsável pelo desenvolvimento da Sputnik V assinam acordo para testar combinação (Imagem:  Karolina Grabowska / Pexels)

O que acontece é que os dois imunizantes partem de um vetor viral, e os pesquisadores usam um outro vírus, modificado, para introduzir parte do material genético do novo coronavírus (SARS-CoV-2) no organismo e induzir a resposta do sistema de defesa do corpo. Nas duas vacinas, o tipo de vírus que "carrega" o coronavírus para o corpo é um adenovírus. Na vacina da AstraZeneca, os adenovírus usados nas duas doses são iguais. Na Sputnik V, eles são diferentes.

"Um cronograma usando dois vetores adenovirais diferentes para imunização primária e secundária, sendo um desenvolvimento único e fundamental por especialistas do Centro Nacional de Pesquisa em Epidemiologia e Microbiologia de Gamaleya do Ministério da Saúde da Rússia, permite contornar a imunidade ao primeiro vetor, formado após a primeira inoculação, aumentando assim a eficácia da segunda injeção, formando assim uma imunidade a longo prazo. Graças a este esquema, entre outras coisas, a eficácia da vacina Sputnik V ultrapassa 90%, e a proteção contra casos graves da doença chega a 100%. Entre as principais vacinas contra o coronavírus, atualmente apenas a Sputnik V possui a tecnologia de dois vetores diferentes", diz o comunicado.

“A decisão da AstraZeneca de realizar testes clínicos usando um dos dois vetores da Sputnik V para aumentar a eficácia de sua própria vacina é um passo importante para unir esforços na luta contra a pandemia. Esperamos que outros produtores de vacinas sigam nosso exemplo”, explicou Kirill Dmitriev, do RDIF, logo que essa parceria começou a ganhar conhecimento.

Fonte: Russian News Agency

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.