Aspirina: uso diário representa riscos para algumas pessoas
Por Fidel Forato • Editado por Luciana Zaramela |

É relativamente comum o uso diário de Aspirina (ácido acetilsalicílico), um remédio que dificulta a coagulação do sangue, por pessoas mais velhas. Isso porque o medicamento é conhecido por sua capacidade de prevenir casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC), também conhecido como derrame. A questão é que esse uso contínuo tem os seus riscos e não é vantajoso para todos os pacientes, segundo estudo publicado na revista JAMA Network Open.
Liderado por pesquisadores da Monash University, na Austrália, o recente estudo apontou para novas questões envolvendo os benefícios e os riscos do AAS em pacientes saudáveis, e que nunca tiveram AVC ou ataque cardíaco (infarto). Quase 20 mil voluntários foram considerados.
Dentro deste grupo de pessoas saudáveis, na faixa dos 70 anos, o uso diário de Aspirina não vale a pena, já que o risco de uma hemorragia supera o benefício de não ter um AVC, segundo os autores.
Entenda o estudo sobre a Aspirina
No estudo, os pesquisadores acompanharam cerca de 19 mil idosos, que moram na Austrália ou nos Estados Unidos. Nenhum deles tinha registro de doença cardiovascular no início do estudo, sendo todos considerados saudáveis.
O total de participantes foi dividido em dois grupos, considerando que um tomaria diariamente 100 g de Aspirina. Enquanto isso, o segundo grupo receberia todos os dias um placebo (comprimido sem nenhum efeito no corpo). Ambos foram acompanhados por um período médio de 5 anos.
Após o acompanhamento, os cientistas identificaram que os casos de AVC foram relatados em 4,6% do grupo de Aspirina e 4,7% no grupo de placebo. Para a análise, a variação de 0,1% não é estatisticamente significativa. Por outro lado, os eventos hemorrágicos foram 38% mais comuns naqueles que tomaram Aspirina em comparação com o placebo.
Dessa forma, os cientistas entendem que o risco de sangramento cerebral supera qualquer benefício potencial na redução de derrames em pacientes saudáveis. Aqui, é importante frisar que o estudo analisou um público bastante específico.
“Essas descobertas sugerem que a Aspirina, em baixas doses, pode não ter nenhum papel na prevenção primária de AVC e que deve-se tomar cuidado com o uso de Aspirina em pessoas idosas propensas a traumatismo craniano, por exemplo, em decorrência de quedas”, afirmam os pesquisadores, no artigo.
Devo parar de usar Aspirina?
A partir do estudo, o que se observa são dois cenários diferentes. A descoberta aponta para a necessidade de criação de um novo protocolo de prevenção do AVC em pessoas saudáveis e que, hoje, não tomam Aspirina.
“As pessoas mais velhas preocupadas em reduzir o risco de ter o primeiro derrame não devem tomar Aspirina diariamente, sem o conselho do médico", afirma John McNeil, autor sênior do estudo, em nota. Neste caso, o especialista afirma que o melhor é "se concentrar na modificação dos fatores de risco associados ao estilo de vida e no controle da pressão arterial”. Inclusive, o Canaltech já compartilhou formas naturais de evitar a hipertensão.
No entanto, “essas descobertas não se aplicam a adultos mais velhos que tomam Aspirina por indicação médica, como após um ataque cardíaco e derrame", reforça McNeil. Para ele, as conclusões do estudo não devem ser encaradas como uma carta branca para suspender a medicação, de forma inconsequente.
Vale lembrar que, em 2021, uma força-tarefa dos EUA, composta por 16 especialistas, emitiu um comunicado no qual deixou de recomendar formalmente o uso de Aspirina para prevenir infartos em pessoaas saudáveis.
Fonte: JAMA Network Open e Monash University