Anvisa diz que "as portas não estão fechadas" para a vacina Sputnik V no Brasil

Por Natalie Rosa | Editado por Luciana Zaramela | 27 de Abril de 2021 às 19h40
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A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) negou o pedido de exportação da vacina Sputnik V para o Brasil, na noite da última segunda-feira (26), alegando falta de informações suficientes que comprovem a segurança do imunizante. E nesta terça (27), o gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da agência, Gustavo Mendes Lima, revelou que ainda há espaço para a aprovação da vacina.

Mendes contou que a Anvisa ainda pode reverter a decisão caso consiga ter acesso às informações técnicas que não foram apresentadas até o momento. "Os pedidos de importação excepcional, os que não definimos ontem, estão em aberto e também o pedido para autorização para uso emergencial. Então, existe espaço para a entrada. As portas não estão fechadas. Além disso, todas as decisões da Anvisa são passíveis de recurso", conta o gerente-geral.

O pedido de liberação do uso da vacina do Brasil veio de diversos estados, como Acre, Bahia, Ceará, Pernambuco e Rondônia, totalizando 66 milhões de doses do imunizante russo, desenvolvido pelo Instituto Gamaleya. Se o pedido fosse aprovado, 33 milhões de pessoas poderiam ser imunizadas recebendo duas doses cada.

Imagem: Divulgação/Gamaleya Institute

Problemas

O veto da Anvisa aconteceu não só pela fabricante não fornecer os documentos necessários para comprovar que a vacina é segura, como também por serem detectados problemas considerados críticos em relação à qualidade. Os especialistas ainda criticaram a tecnologia usada no desenvolvimento do imunizante, que conta com um adenovírus humano com capacidade de reprodução."A tecnologia do adenovírus é amplamente conhecida. Claro que uma série de ajustes precisam ocorrer", disse Mendes.

O Instituto Gamaleya se posicionou sobre a decisão da Anvisa, acusando a agência de ter levado em conta questões políticas, citando a pressão do Departamento de Saúde dos Estados Unidos, que havia pedido ao Brasil a rejeição do imunizante russo. "A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de adiar a aprovação do Sputnik V é, infelizmente, de natureza política e nada tem a ver com o acesso da agência reguladora à informação ou à ciência", diz a nota da fabricante.

A declaração também afirma que a decisão da Anvisa vai contra o MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), que havia considerado o imunizante seguro. "A equipe do Sputnik V abordou as questões técnicas levantadas pelos conselheiros da Anvisa durante a reunião de 26 de abril para demonstrar que essas alegações não têm embasamento científico e não podem ser tratadas com seriedade na comunidade científica e entre os reguladores internacionais", contesta o instituto.

Fonte: Agência Brasil

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