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Água com agrotóxicos leva a mais de 500 casos de câncer no PR

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  | 

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mrjn Photography/Unsplash
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Um estudo publicado na revista Environment International destacou a possibilidade de água com agrotóxicos ser responsável por 542 casos de câncer no Paraná entre os anos de 2017 e 2019. Para chegar a essa afirmação, os cientistas calcularam os níveis de concentração média de cada agrotóxico na água, a população exposta e o risco de câncer gerado pelas substâncias.

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Cientistas descobriram níveis elevados de 11 agrotóxicos na água que abastece 127 cidades produtoras de grãos no oeste do Paraná, onde vivem 5,5 milhões de pessoas. Segundo o estudo, o problema está associado a pelo menos 542 casos de câncer diagnosticados em moradores da região em um período que vai de 2017 a 2019.

Através do estudo, os cientistas estimaram quantos casos de câncer cada agrotóxico poderia causar a partir da população que foi atingida por cada um. Esse número foi comparado à quantidade real de casos da doença no período analisado.

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Segundo o relatório, mais de 80% dos casos tiveram ligação com duas substâncias: mancozeb-ETU e diuron. Além disso, o material afirma que, dos 27 pesticidas investigados na água, 11 são potencialmente cancerígenos, como o lindano.

Na prática, os pesquisadores identificaram uma correlação significativa em todos os municípios, principalmente para o câncer de mama. "A contaminação ambiental por agrotóxicos é uma preocupação de saúde global, especialmente no Brasil, dada a sua condição de um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo, bem como seu controle regulatório permissivo", pontua o estudo.

A pesquisa acrescenta que o uso descontrolado de pesticidas pode causar contaminação ambiental em larga escala, incluindo a contaminação da água, solo, ar, plantas, animais, produtos alimentícios e humanos. Essas substâncias podem atingir os sistemas aquáticos através do escoamento de culturas pulverizadas, reduzindo a potabilidade da água para consumo humano.

Os pesquisadores dizem que a exposição a agrotóxicos pode trazer consequências que incluem aumento do risco de disfunção da tireoide, incluindo câncer, função renal alterada e risco de carcinoma renal, além de alta incidência de doença de Parkinson ou disrupção hormonal feminina. Para piorar, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está há dois anos sem testar agrotóxicos nos alimentos.