Anvisa está há dois anos sem testar agrotóxicos nos alimentos; entenda os riscos

Anvisa está há dois anos sem testar agrotóxicos nos alimentos; entenda os riscos

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 10 de Maio de 2022 às 18h30
microgen/envato

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está há dois anos sem testar agrotóxicos nos alimentos. A última pesquisa sobre esse assunto foi publicada em 2019, a partir de amostras coletadas em 2017 e 2018. Em agosto de 2020, por conta da pandemia, o órgão suspendeu as coletas temporariamente.

Segundo a agência, o relatório com os dados de 2018 e 2019 está previsto para ser divulgado no segundo semestre deste ano, e se concentra em atividades preparatórias para execução das coletas e análises de amostras a partir desse período.

A última pesquisa apontou laranja, pimentão e goiaba como os principais alimentos com agrotóxicos acima do limite. Os dados constataram que os agrotóxicos proibidos estavam presentes em 82% dos pimentões, 42% das amostras de goiabas, 39% das cenouras e 35% dos tomates testados.

O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) foi criado em 2001. O primeiro relatório veio a público entre 2001 e 2007, e os três relatórios seguintes foram anuais (2008, 2009 e 2010). Depois, a agência passou a condensar anos de forma irregular, com relatórios monitorando amostras de 2011 e 2012, e na sequência de 2013 a 2015.

Pesquisadores da área apontam essa oscilação dos períodos divulgados como um reflexo da desestruturação do programa, o que transmite a sensação de que não há urgência no monitoramento de alimentos. Segundo a Fiocruz, o programa permite saber o que está acontecendo depois que libera determinado agrotóxico, o que está sendo contaminado e em qual proporção.

Cientistas destacam a importância de monitorar os agrotóxicos nos alimentos (Imagem: microgen/envato)

Em nota, a Anvisa chegou a declarar que “a decisão sobre o período a ser divulgado depende prioritariamente da obtenção e consolidação de todos os resultados das amostras analisadas, além de se considerar o contexto da execução do Programa”. No entanto, mesmo o programa em si é considerado pelos especialistas como insuficiente, porque o monitoramento exclui alimentos processados ou de origem animal.

Agrotóxicos: prejuízo à saúde

Os agrotóxicos são usados ​​para proteger os produtos agrícolas contra insetos, fungos e outras pragas, e de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), são "potencialmente prejudiciais para os seres humanos e podem ter efeitos agudos e crônicos à saúde, dependendo da quantidade e das formas pelas quais uma pessoa é exposta".

Para se ter uma noção, a substância pode permanecer por anos no solo e na água. Entretanto, a toxicidade desse produto químico depende de sua função e de outros fatores. Dependendo, podem causar envenenamento agudo ou efeitos de longo prazo na saúde, incluindo câncer e efeitos adversos na reprodução.

"Os agrotóxicos estão entre as principais causas de morte por autointoxicação, principalmente em países de baixa e média renda. Por serem intrinsecamente tóxicos e deliberadamente espalhados no meio ambiente, a produção, distribuição e uso de agrotóxicos requerem regulamentação e controle rigorosos", diz a OMS.

Fonte: Agência Pública, Repórter Brasil, OMS

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