Adesivo tech: cientistas criam método inédito para detectar doenças pela pele

Por Nathan Vieira | 09 de Fevereiro de 2021 às 14h45
andreas160578 / Pixabay

Descobrir novas formas de detectar doenças é sempre um passo a mais para a ciência. E quem deu esse passo, recentemente, foi a Washington University in St. Louis, dos EUA. Acontece que os pesquisadores desenvolveram adesivos descartáveis com centenas de microagulhas com menos de um milímetro de comprimento. A ideia é pressionar esse adesivo no dedo e mergulhar em uma solução especial de nanopartículas, que por sua vez sentirão a presença de determinadas proteínas.

Você já ouviu falar do interstício? Basicamente, é um espaço preenchido de líquido entre a pele e os demais órgãos, músculos e o sistema circulatório. Os biomarcadores presentes podem indicar doenças como tuberculose, ataques cardíacos e câncer tem atraído a atenção crescente de pesquisadores que procuram derrubar a dependência de ferramentas de diagnóstico invasivas e centradas no sangue.

Embora o fluido presente no interstício esteja apenas a um leve arranhão de distância, é difícil coletar, uma vez que faltam ferramentas que façam isso com precisão. E é justamente isso que os pesquisadores querem resolver ao criar um adesivo com microagulhas que consigam acessar esses biomarcadores, sob o argumento de que depender da coleta de sangue para os testes traz barreiras específicas para países em desenvolvimento econômico, por exemplo, onde o acesso aos cuidados de saúde e o armazenamento adequado de amostras biológicas podem ser um problema.

“Muitas pessoas não percebem que os anticorpos são meio instáveis, especialmente quando armazenados em condições não refrigeradas por muito tempo. Há muita necessidade de biodiagnóstico em países de baixa e média renda, e até mesmo nas áreas rurais dos Estados Unidos”, observou o autor do estudo, Srikanth Singamaneni.

Especialistas descobrem novo método de detectar doenças através da pele, que não é tão invasivo quanto coleta de sangue (Imagem: Arek Socha/Pixabay)

O uso das microagulhas acaba se mostrando uma abordagem mais acessível. O líquido intersticial da pele está próximo o suficiente da superfície para não exigir agulhas longas. Com um método de detecção sensível, os biomarcadores da pele podem fornecer informações biológicas importantes.

Na verdade, o adesivo de microagulha desenvolvido por sua equipe é feito de poliestireno sólido e não suga nenhum líquido. Em vez disso, suas minúsculas agulhas agem como armadilhas de biomarcadores. A equipe de Singamaneni conseguiu revesti-las com anticorpos conhecidos por capturar proteínas específicas.

A equipe fez testes com camundongos, e conseguiu detectar com sucesso níveis elevados das proteínas que desejavam encontrar. Os envolvidos no estudo contam que para doenças como a malária, em que um parasita libera proteínas específicas, os médicos precisam apenas de evidências de um tipo de biomarcador para fazer um diagnóstico. No entanto, são necessários biomarcadores para diagnosticar de forma conclusiva condições complexas como o câncer. Portanto, os testes nos camundongos não foram tanto uma demonstração de diagnóstico, mas sim a prova de que as microagulhas podem medir biomarcadores com extrema sensibilidade.

Fonte: Nature Biomedical Engineering via Futurism

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