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Bluesky repete os erros do Twitter, acusa fundador da rede social

Por| Editado por Douglas Ciriaco | 10 de Maio de 2024 às 16h22

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Mark Warner/Wikimedia Commons/CC-2.0
Mark Warner/Wikimedia Commons/CC-2.0
Jack Dorsey

Jack Dorsey rompeu o silêncio sobre sua saída do Bluesky, confirmada no começo da semana. Em uma rara entrevista concedida ao site Pirate Wires, Dorsey disse que abandonou a rede social porque notou que o projeto estaria “repetindo os mesmos erros” do X (antigo Twitter) e não gostou dos rumos tomados para a moderação de conteúdo na plataforma.

Para contextualizar, vale lembrar que ele era o CEO do antigo Twitter até a venda para Elon Musk e deixou a empresa para focar na Rede do Céu Azul. Durante a conversa, Dorsey criticou o método de faturamento do X com base nos anúncios, elogiou a estratégia atual de Musk e revelou investimentos num projeto liderado por um brasileiro.

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Moderação foi um problema

Um dos pilares das discordâncias entre Dorsey e a operação do Bluesky foi a moderação de conteúdo da plataforma. O fundador defende a ideia de um protocolo descentralizado, na qual não haveria restrição sobre o que as pessoas publicam por lá, e não gostou da ideia de ter um controle com pessoas banidas na rede.

A decisão parece ter revivido alguns pesadelos de Jack Dorsey, para quem o projeto abandonaria as ideias de descentralização para se tornar o produto de uma empresa com conselho e direção própria:

“A ferramenta foi criada para ser controlada para as pessoas. Acho que a melhor ideia é de ter uma loja de algoritmos, na qual você escolhe como ver as conversas. Porém, aos poucos, eles começaram a pedir ferramentas de moderação e que banissem pessoas para a Jay [CEO do Bluesky] e a equipe. E infelizmente eles seguiram com isso.  Foi o segundo momento que pensei ‘ah, não’. Isso está literalmente repetindo os erros que cometemos como empresas. Não é um protocolo verdadeiramente descentralizado, é outro aplicativo. É outro app que meio que segue os passos do Twitter, mas para uma diferente parte da população. Tudo que queríamos sobre descentralização e sobre um protocolo aberto de repente virou uma empresa com conselho e capital de risco. Não era isso que queria”.
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De qualquer forma, Dorsey não quis deixar rusgas com a saída: durante o papo, ele disse que respeita a CEO Jay Graber, mas não “se alinha” ao posicionamento dela. Ainda segundo o ex-executivo, havia um consenso de que ele e o conselho queriam coisas diferentes.

A conversa sobre moderação nas redes sociais é recorrente, principalmente envolvendo a propagação de discursos de ódio e a prática de crimes digitais em diversas plataformas. Isso foi, inclusive, o pilar da discussão entre Elon Musk e o ministro do STF Alexandre de Moraes sobre contas banidas no X.

Migração para o Bluesky e a era Musk no X

Jack Dorsey também discordou da forma em que o Bluesky começou a fazer sucesso como um “anti-Twitter” — na visão dele, as pessoas migraram para a nova rede para fugir do X e isso “não seria uma forma de criar algo de sucesso”.

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Sobre a antiga rede que comandou, Dorsey diz que Elon Musk fez a escolha certa ao assumir o comando da empresa e pensar em novas formas de monetização. O ex-CEO foi crítico à estratégia antiga de faturamento da companhia, que dependia diretamente das verbas de anunciantes e fazia a plataforma seguir o que essas empresas desejavam.

“O X ainda é uma empresa, ainda tem que fazer uma escolha consciente sobre os direitos garantidos aos usuários. O lado bom é que não é mais uma empresa pública com um incentivo de lucro baseado no modelo de anúncios, que pode ser fortemente influenciado pela vontade dos anunciantes de mover o orçamento se não gostarem do que você faz. Então, Elon fez uma escolha, e eu acho que é a certa. Acho que ele comprou na hora errada, obviamente, mas a escolha foi de sofrer o custo para manter as políticas que ele mesmo deseja. Anunciantes saíram e o modelo de negócios balançou, mas você tem que criar mais coisas, como assinaturas, o que Elon está fazendo”.

Investimento em projeto de brasileiro

Jack Dorsey falou de projetos futuros e mencionou que o seu foco está no Nostr, um protocolo aberto criado por um brasileiro conhecido como fiatjaf, que prefere não revelar a identidade. 

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O Nostr não é um aplicativo em si, mas um protocolo que pode servir como base para outras plataformas — algo que segue a ideia de ambiente descentralizado promovida pelo ex-Bluesky. De acordo com a Forbes, Dorsey já investiu pelo menos US$ 5 milhões no projeto. 

Bluesky ganhou novos recursos

A vida segue para o Bluesky, que aos poucos ganha mais ferramentas para competir com X, Mastodon e Threads no segmento de microblogging. A plataforma anunciou que desenvolve o suporte a mensagens diretas entre contas e publicação de vídeos.

Fonte: Pirate Wires