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Batman | Conheça o lado detetive que sonhamos ver no cinema

Por| 27 de Outubro de 2023 às 06h56

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DC Comics
DC Comics
Bruce Wayne

Muita gente conhece o Batman como um herói porradeiro e astuto, sempre preparado para enfrentar os inimigos, porque o Homem-Morcego sempre tem recursos para as mais variadas circunstâncias. Todo mundo sabe que ele é um grande detetive, mas como essa faceta nunca apareceu da forma mais adequada, nem mesmo no que prometia o mais recente na pele de Robert Pattinson, tem fã que ainda nunca viu sua incrível capacidade de dedução.

Bem, quando o Homem-Morcego foi criado, nas primeiras décadas do século 20, ele herdou características do maior detetive da literatura do século anterior: Sherlock Holmes. Embora muitas histórias tenham explorado com louvor essa faceta, é um lado de Bruce Wayne que não tem aparecido com tanta desenvoltura.

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Mas, para você que ainda não acredita que ele é o melhor detetive do mundo dos super-heróis, conheça a HQ de apenas oito páginas em que Batman desvenda um assassinato apenas observando um corpo em um necrotério e sem encostar um dedo em bandido nenhum — é esse tipo de Homem-Morcego que nunca vimos e sonhamos ver no cinema.

Batman em preto e branco

A história em questão faz parte de uma antologia chamada Batman Black and White, lançada em 1996 com pequenos contos ilustrados em, claro, apenas preto e branco. São vários autores de peso, como Bruce Timm (Batman Animated), Howard Chaykin (American Flagg!), Kent Williams (Blood: Uma História de Sangue), Bill Sienkiewicz (Elektra Assassina), Neil Gaiman (Sandman), Simon Bisley (Lobo), entre outros.

Abaixo reproduzo algumas das oito páginas que podem ser encontradas na versão nacional Batman Preto e Branco, que você pode comprar com este link.

Perpetual Morning, de Ted McKeever, é uma obra-prima indicada ao Eisner Awards, com traços e narrativa sensacionais. Sua arte-final em pincel, com domínio das texturas e uma incrível síntese de ideias em imagens aparentemente simples, fazem com que as oito páginas se multipliquem e ecoem na mente dos leitores após o final da história. Mckeever faz isso com um belo “jogo de câmeras” e a definição de luz e sombra tão bem executada que seu trabalho é um perfeito exemplo de como o preto e branco pode ser poderoso para uma ambientação noir.

Na trama, Batman visita um necrotério e “conversa” com um corpo de uma jovem que morreu anônima, observando cada detalhe de seus ferimentos para montar a sequência de eventos que a levaram a óbito. Ele faz isso com maestria e paciência, em um tom intimista e poético raramente visto em sua trajetória: “Sei que você não pode responder essas perguntas, mas ainda assim você é bem-vinda. Entre, compartilhe o banquete. Compartilhe essa dança.”

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A partir daí, o Homem-Morcego observa cada marca no corpo, com seu próprio método de dedução, que também envolve anos de experiência como super-herói. Vale destacar que o pai de Batman, Thomas Wayne, era médico cirurgião, e a trama explora o fato de Bruce ter bastante conhecimento sobre a anatomia humana e os tipos de ferimentos que alguém pode causar. “As marcas em seu corpo pálido são como um mapa de seu trajeto.”

Depois de mais investigações, Batman encontra evidências que revelam a identidade do assassino: sim, Bruce consegue solucionar a morte da mulher e ainda prender o criminoso sem tirar o pé do necrotério. E o final é uma linda carta de amor ao Homem-Morcego, com uma sequência que mostra seu heroísmo e sua infinita e depressiva jornada que nunca vai preencher o vazio em seu coração.

“Você me permitiu entrar em seu círculo, permitiu-me procurar respostas em seu corpo, agora deixe-me encontrar sua alma. Eu preciso de seu nome”, pensa Bruce. “As pessoas acreditam que sou um cavaleiro, um salvador. Mas, na verdade, sou apenas um recipiente para conter as memórias dos que se foram. Aqueles os quais não têm um lugar na prateleira para guardá-los. Eles devem pensar que me deleito em minhas vitórias, como se parecesse que eu nunca tivesse perdido uma luta. Perco muitas. Os que não conseguiria alcançar. Os que não pude salvar a tempo. São esses que carrego dentro de mim.”

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Batman identifica traços da última refeição no estômago da vítima e reconhece o único local próximo de onde ela foi encontrada que vende uma refeição com esses ingredientes. Então, ele descobre seu nome e faz questão de preencher sua ficha, que apenas tinha o nome “Jane Doe” — algo tipo “Maria Ninguém”.

A conclusão mostra que Batman é o único herói que consegue entrar na mente de um vilão sem se contaminar. O vazio em seu coração é o preço que ele sempre paga para transformar vingança em justiça, miséria em alegria. Ele absorve a morte e devolve com vida: “Você tem só os seus pensamentos e sonhos à sua frente. Você é alguém. Você é importante.”