Vale a pena ter um "celular do Pix"?

Vale a pena ter um "celular do Pix"?

Por Igor Leves de Almeida | Editado por Léo Müller | 08 de Junho de 2022 às 10h46
Eric Mockaitis

As facilidades que os smartphones trouxeram mudaram nossa relação com vários processos, entre eles os do mundo financeiro. Mas isso também traz um risco. No caso de um assalto ou sequestro, como proteger seu dinheiro nesses aplicativos? Vale mais a pena investir em um "celular do pix", exclusivo para operações financeiras, ou é melhor usar softwares de segurança no celular?

Eu tive a oportunidade de conversar sobre esse tema tanto com a Motorola — segunda maior marca de smartphones no Brasil —, quanto com o analista sênior de segurança da Kaspersky, Fabio Assolini. Assim, vou compartilhar com vocês as dicas e orientações que os especialistas recomendam, de forma a tentar te ajudar a fazer a melhor escolha.

Afinal, vale a pena ter o “celular do Pix”?

Muito se tem pesquisado sobre o termo “celular do Pix”, cuja proposta é ser um aparelho secundário, mais básico, para ficar em casa e ser usado exclusivamente para operações bancárias.

Dessa forma, ao ser abordado, assaltado ou sequestrado na rua, você não teria grandes riscos de o ladrão ter acesso aos aplicativos mais sensíveis e importantes. Contudo, outras questões podem ser levantadas a partir dessa estratégia.

A começar pela praticidade, como comentei anteriormente, os smartphones facilitam, em vários aspectos, nosso dia-a-dia. E, ao se limitar com um celular para ficar em casa, você perde essa praticidade no cotidiano, seja para fazer uma transferência, pagamento ou mesmo resgatar algum valor de emergência.

Existem diversas opções que cumprem bem o papel para ser o celular do Pix (Imagem: Canaltech)

Outro fator importante nessa questão é a própria segurança de software dos “celulares do Pix”. Em sua maioria, os usuários buscam aparelhos baratos e mais acessíveis, afinal não terá grandes usos além dos aplicativos de banco.

Porém, Assolini adverte que esses dispositivos são mais vulneráveis.

“Muitas vezes, esses aparelhos não recebem mais atualização do sistema operacional. Então, eles estão rodando versões antigas [do SO], e essas versões possuem vulnerabilidades. Isso permite que o celular seja facilmente infectado ou que seja mais vulnerável ao processo de “jailbreak”. Com isso, o bandido consegue eliminar, por exemplo, o bloqueio de tela.”

Ou seja, usar smartphones mais antigos ou modelos básicos, pode colocar você em risco quando eles pararem de receber atualizações. Temos exemplos de modelos de entrada que recebem apenas uma atualização após o lançamento. Assim, nos anos seguintes, eles já podem estar suscetíveis a ataques.

Além disso, mesmo o “celular do Pix” ficando apenas na sua casa, nada impede que ele seja levado durante o roubo de uma residência. Com isso, o bandido terá acesso a esse aparelho, que provavelmente não terá muitas camadas de proteção, ainda mais se for uma opção básica.

Como melhorar a segurança de seus aplicativos financeiros

Ter um segundo celular só para Pix pode não ser para qualquer um. Até porque, mesmo modelos básicos custam por volta de R$1.000. E, como vimos, pode não ser a melhor das estratégias.

Ainda que ela funcione, talvez não justifique desembolsar esse valor para um dispositivo que vai ficar parado e, de certa forma, dificultar a sua vida.

Por isso, a Motorola reforça a importância de investir nas medidas de segurança dos próprios aparelhos. Principalmente os topo de linha que possuem recursos especializados nisso.

Dessa forma, você consegue ter mais controle de quem acessa os aplicativos e sabe como lidar caso se encontre numa situação de roubo.

Essas medidas de segurança são bastante válidas porque você fica preparado para quando isso acontecer. É o caso de aprender sobre o sistema de localização de aparelhos Android e Apple, cada qual com sua respectiva ferramenta.

O sistema de localização do celular, pode ajudar em diversas situações, inclusive é possível gerenciar o aparelho à distância (Imagem: Samsung)

Assim, mesmo se você sofrer um sequestro em que o ladrão deseja apenas que você desbloqueie o celular ou então em um assalto com celular liberado, é possível bloquear o hardware, para que suas informações fiquem seguras.

Ao aprender sobre esses mecanismos, você consegue se preparar muito melhor do que apenas dificultar a vida do assaltante. Nesse sentido, utilizar um perfil secundário, em aparelhos que oferecem esse modo, reforça ainda mais a segurança.

Nesse perfil, você pode guardar os aplicativos do banco e exigir uma senha para acessá-los. Na Samsung, temos a pasta segura, na Xiaomi, temos o perfil de segurança, por exemplo. Mas todos os aparelhos Android permitem que você crie um segundo usuário do sistema para separar atividades financeiras do restante.

“Os meus aplicativos de banco, aqueles que estão associados com os meus cartões, esses eu guardo em um perfil adicional. Nesse perfil, vou configurar uma senha diferente, um e-mail diferente. Eu fico em outro ambiente. Mesmo em caso de roubo, em que a pessoa perde o celular desbloqueado, seus aplicativos estão em outro perfil, ele [ladrão] não vai conseguir acessar essas informações.” Thiago Masuchette - Gerente de Produto na Motorola

Assim sendo, você pode ir criando camadas e mais camadas de proteção para dificultar ao máximo o acesso aos aplicativos. Isso, juntamente com o conhecimento das ferramentas de localização e bloqueio do IMEI, vai tornar o aparelho roubado praticamente inútil.

Qual a melhor opção?

Após ter essas conversas com os especialistas, eu acredito que a opção mais vantajosa e até mais prática é investir nos sistemas de segurança do seu próprio celular. Desde perfil secundário, ou pasta segura, até e-mails que sirvam só para confirmações de segurança e senhas alternativas.

Além disso, existem vários mecanismos que ajudam, mesmo após você ter “perdido” o celular para o ladrão. Como o bloqueio do IMEI e o Find My Device (Android) ou Find My iPhone (iOS).

Já o “celular do Pix” pode ser bastante seguro no caso de sequestros, visto que, uma vez que você não tenha os aplicativos instalados no celular, o ladrão não tem como obrigar a vítima a abrir seus apps de banco. Porém, isso pode abrir margem para uma abordagem ainda mais violenta por parte dele.

De forma que ele pode transformar o sequestro relâmpago em algo mais duradouro e perigoso, exigindo resgate.

Nós podemos tentar adotar diversas estratégias para mitigar o dano de um assalto ou roubo, porém a melhor recomendação quando estiver nessas situações é realmente entregar o que eles pedem. Assim, você evita violência e depois pode correr atrás de solucionar o problema de outras formas, que eu vou mostrar a seguir.

Conheça algumas dicas de segurança para se proteger

A Motorola nos enviou uma lista com diversas dicas de segurança, que você pode aplicar se quiser tornar seu celular mais seguro e difícil de acessar.

  1. Crie um perfil secundário. Isso pode variar de modelo a modelo em celulares Android, mas basicamente o procedimento é semelhante entre eles. Basta ir em Configurações, depois Sistema, Vários Usuários e, depois, Adicionar Usuário.
  2. Tenha o IMEI do seu smartphone salvo ou registrado em algum local de fácil acesso. É com ele que você pode ligar para a operadora para bloquear o aparelho. Para identificar esse número, você pode procurar na caixa original do dispositivo ou então digitar no discador do telefone a sequência *#06#. Você também vai precisar do IMEI para fazer o boletim de ocorrência na polícia. Com ele, também é possível resetar o seu celular para as configurações de fábrica, assim as informações e aplicativos salvos são apagados.
  3. Diminua o tempo de bloqueio automático. Faça isso sempre que precisar ir à rua ou em locais mais perigosos. Assim, diminui a chance do ladrão conseguir acessar o celular caso você seja assaltado.
  4. Ative a senha do seu Chip. Será necessário entrar em contato com sua operadora para fazer esse procedimento.
  5. Desative notificações sensíveis na tela de bloqueio. Dessa forma evita que informações pessoais sejam lidas mesmo com o telefone desbloqueado.
  6. Em aplicativos financeiros não deixe seu CPF salvo ou registrado.
  7. Não salve senhas de bancos e outros acessos em blocos de nota. Isso torna a vida dos ladrões ainda mais fácil, já que, uma vez em posse do aparelho, eles facilmente descobrirão os logins e senhas dos aplicativos.
  8. Não armazene fotos de cartão de crédito. Tirar foto do cartão pode facilitar para fazer compras online sem precisar ficar procurando pela carteira. Entretanto, mais uma vez, isso expõem os dados mais sensíveis que você possui.
  9. Crie um e-mail específico para recuperação de senhas. Esse e-mail servirá para fazer a recuperação de senha dos aplicativos e outros acessos. O ideal é que ele seja usado em apenas me outros dispositivos e não no celular principal, seja um notebook ou celular sem uso.

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