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Por que o iPhone 14 ainda usa cabo Lightning?

Por| Editado por Léo Müller | 20 de Outubro de 2022 às 14h39

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Victor Carvalho/Canaltech
Victor Carvalho/Canaltech

Chegamos à décima quarta geração de um dos smartphones mais populares do mundo, o iPhone. E, junto com ela, muitas críticas, poucos elogios e algumas ressalvas. Isso porque, em pleno 2022, a Apple ainda insiste em algumas estratégias questionáveis.

Uma delas é a questão do cabo/conexão do celular. Por que o iPhone 14 ainda usa cabo Lightning? Já vemos várias outras fabricantes que evoluíram nesse sentido, e não apenas na linha principal, mas até nos modelos de entrada.

Entretanto, a marca nascida em Cupertino mantém esse padrão desde que foi criado em 2012, com a chegada do iPhone 5. Assim, pretendo elaborar alguns pontos que podem (ou não) justificar a escolha dela em manter isso no seu mais recente lançamento.

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A retrocompatibilidade pode ser um dos fatores

Quem acompanhou o lançamento do iPhone 5, viu como foi conturbada a recepção do novo cabo Lightning, que iria substituir o conector de dez pinos utilizado em todos os produtos móveis da Maçã até então.

Isso porque os consumidores estavam muito inseridos nesse padrão, podiam usar com iPod e iPhone, sem a necessidade de um cabo para cada aparelho. Entretanto, com a chegada do Lightning, perdeu-se essa compatibilidade com dispositivos “ultrapassados”.

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Isso gerou muita comoção e críticas à nova conexão, apesar de ela ser mais rápida, menor e versátil, podendo plugar de qualquer lado para funcionar.

Isso tudo pode ser potencializado, já que o cabo de dez pinos não tinha muitos pontos positivos a seu favor, fora a retrocompatibilidade.

Entretanto, o Lightning está presente no ecossistema Apple há quase 10 anos. Ou seja, migrar para um novo conector vai gerar muito estresse e lixo eletrônico.

Existe muita receita gerada pelo Lightning

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Pode ser que nem todos saibam, mas o cabo Lightning é responsável por uma parte da receita da Apple. E não estou falando da venda do cabo em lojas e revendedores.

O ponto é a licença que a Apple cobra para certificar a procedência desse cabo, de forma que não é qualquer fabricante que pode replicar a tecnologia. O chamado MFi (Made for iPhone), é um selo de qualidade que a empresa distribui para aqueles que estão interessados em produzir seus acessórios, desde cabos, capinhas e películas.

Para receber esse certificado é preciso seguir regras bastante rigorosas na linha de produção e também no nível de qualidade do material utilizado. Além, é claro, de pagar a taxa para ser avaliado e aplicar o selo nas embalagens.

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Assim, a Apple garante uma receita muito interessante desse modelo de negócio, de forma que, adotar um padrão aberto ( como o USB-C) privaria a marca de continuar recebendo dessa fonte de renda. Portanto, não é provável que ela vá abrir mão disso sem considerar alternativas para substituir.

Segundo alguns relatórios emitidos recentemente, a Apple pode ter feito uma receita de 6,5 bilhões de dólares com a venda de acessórios e cabos. Isso desde que ela aboliu a presença dos carregadores e fones de ouvido na caixa do iPhone.

Além de diminuir o tamanho da caixa, o que reduz o custo do produto, ela ainda consegue ter um alto controle sobre o que pode ou não ser conectado em seus aparelhos, através das licenças obrigatórias.

Outras pressões podem forçar a Apple a mudar

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Apesar de ser um cenário confortável para a Apple, recebendo uma renda extra e sem precisar se preocupar com novos protótipos e patentes, algumas forças externas podem começar a balançar esse barco.

É o caso, por exemplo, da UE (União Europeia) que está trabalhando para sancionar uma lei que obrigará uma padronização dos carregadores de dispositivos eletrônicos. Sendo que o USB-C foi escolhido para assumir esse papel. Já que ele consegue ser muito versátil e eficiente no que se propõem.

Ainda que a Apple continue resistindo, não deve demorar para outras regiões do globo seguirem com o exemplo da Europa, a fim de manter boas relações econômicas.

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Outro fator complicador dessa história está na própria limitação do Lightning, já que ele utiliza o padrão de conexão USB 2.0, extremamente defasado para o mundo de dados que utilizamos hoje em dia.

Ainda mais considerando o recente lançamento do iPhone 14 Pro e seu antecessor. Ambos são aparelhos muito potentes no que diz respeito a fazer filmagens e capturar fotografias. Com o modo Pro Res, o iPhone 14 Pro cria arquivos muito grandes e brutos.

Arquivos esses que normalmente são transferidos para ilhas de edição, seja um notebook ou desktop, via cabo. Contudo, ao utilizar um padrão muito lento de transferência — por conta da limitação técnica — isso prejudica o processo de trabalho.

Já que para ter acesso ao material, pode-se levar longas horas de extração. Isso, por si só já pode prejudicar um público que busca utilizar o iPhone 14 Pro ou mesmo o iPhone 13 Pro como ferramenta de trabalho.

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Além disso, se a proposta do aparelho é ser profissional, é preciso rever diversos aspectos, não apenas hardware e software, mas também acessórios e compatibilidade.

Assim, se a Apple pretende se manter como referência no mundo de fotografias e filmes, com capturar cada vez mais próxima de câmeras profissionais, também precisa se adequar ao que os produtores utilizam.

Do contrário, pode começar a ser vista como uma marca que, apesar de investir em recursos premium e diferenciados, não consegue oferecer um ambiente que abusa de todo seu poder de fogo.

Qual o sucessor do cabo Lightning

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Ainda que seja pouco provável a Apple ceder à pressão de órgãos reguladores — tal como tem feito em relação ao Procon aqui no Brasil — é de se esperar que ela eventualmente substitua o cabo Lightning.

Ao que tudo indica, o próximo passo da fabricante deve ser converter todos seus aparelhos para o wireless charging, ao menos os portáteis como fone de ouvido, smartwatch e smartphones.

Isso se deve por conta da ressurreição do padrão MagSafe alguns anos atrás, que, mais uma vez, é um padrão exclusivo da Apple. E, por isso, pode se tornar um ótimo sucessor do Lightning, além de seguir a tendência da Maçã no que diz respeito a acessórios e conexões físicas.

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Já no seu recente lançamento, o iPhone 14, ela retirou a gaveta de chips. Dessa forma, é de se esperar que em algum momento no futuro, a entrada de cabo seja apagada dos modelos para dar lugar a apenas carregamento sem fio.

Entretanto, resta-nos esperar para ver os próximos passos do mercado. Até porque a indústria da tecnologia está em constante evolução, ainda que talvez estejamos chegando a um platô de saltos de recursos.