Por que a Xiaomi lança tanto celular igual (ou quase)?

Por que a Xiaomi lança tanto celular igual (ou quase)?

Por Felipe Junqueira | Editado por Léo Müller | 07 de Abril de 2022 às 15h02
Eric Mockaitis/Canaltech

A Xiaomi possui um catálogo de celulares muito extenso e causa um pouco de confusão nos próprios fãs. Além de modelos muito parecidos, mas com nomes diferentes, a empresa também possui aparelhos praticamente idênticos, com visual um pouco modificado em algum mercado específico.

Mas por que a empresa tem tantos celulares “reciclados”, afinal? O que leva uma única empresa a vender, por exemplo, um Redmi Note 11 5G em um mercado, em outro com o nome de Redmi Note 11T 5G e, depois, lançar um smartphone quase idêntico chamado Poco M4 Pro 5G?

Esta é uma pergunta com muitas respostas. Vou abordar as principais a seguir.

Muitas ‘submarcas’

A Xiaomi tem, apenas em celulares, nada menos que quatro subsidiárias. Além da marca principal, a empresa “dividiu operações” das linhas Redmi e Poco. E ainda tem os gamers Black Shark.

Linha Redmi Note 11 é recheada de aparelhos iguais, mas diferentes (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

Estes últimos têm um foco específico, portanto trazem características únicas para este público-alvo — os gamers. A linha Xiaomi passou a ter um foco maior em visual e acabamento mais bacana, com laterais em alumínio, principalmente. E aí sobram os Redmi e os Poco, que disputam o mesmo espaço, mas em mercados diferentes.

O problema é que há países em que a empresa aparentemente ainda não definiu a estratégia. Isso vale tanto para a Índia quanto para o Brasil. No caso do país asiático, trata-se de um mercado à parte, que não se assemelha nem à China e nem ao Ocidente.

Nosso país já é um pouco diferente, porque só recebe versões globais. E mesmo que nem todos os lançamentos para o mercado ocidental desembarquem oficialmente por aqui, ainda temos algumas “figurinhas repetidas”, como o Poco M3 Pro 5G e o Redmi Note 10 5G.

Segmentação

Uma das ideias de lançar tantos aparelhos por ano é a segmentação. Você provavelmente já sabe que as fabricantes dividem os celulares por faixa de preço, de modo a atingir diferentes públicos em várias regiões do planeta. Isso não é exclusivo do mercado de smartphones, inclusive.

Quando olhamos o catálogo da Samsung, dá para entender bem a segmentação da marca. Temos os Galaxy Z, dobráveis com foco em quem pode pagar por um estilo diferenciado; os Galaxy S, modelos avançados para quem foca em excelentes especificações; e os Galaxy A. Estes englobam várias faixas de preço.

Poco M4 Pro 5G é o Redmi Note 11 5G da China e também o Redmi Note 11T 5G da Índia (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

A Xiaomi faz algo semelhante, até certo ponto. Temos os Xiaomi, mais avançados e com preços mais altos; e os Redmi e Poco. E aí entra a confusão.

Enquanto a Samsung separa bem os Galaxy A com numeração em dois dígitos de 0x até 7x (no Brasil), a Xiaomi tem linhas Redmi, Redmi Note, Poco M, Poco X e Poco F. E dentro dessas linhas, tem modelos como Redmi 9A e Redmi 9C, Poco X3, Poco X3 Pro e Poco X3 NFC. E por aí vai.

Fica mais difícil entender onde um produto se insere quando você tem várias linhas e, dentro dessas várias linhas, diversos dispositivos com nome e sobrenome. A segmentação é importante, mas pode confundir. Além de deixar o catálogo grande, e aí fica difícil diferenciar os celulares entre si.

Penetração em mercados diferentes

Cada marca alcança públicos diferentes, e isso afeta a participação de mercado em cada país. Na Índia, por exemplo, os modelos da POCO parecem vingar melhor do que quaisquer outros. Não é à toa que a submarca tem o país asiático como um de seus principais eixos de operação.

Infelizmente, é difícil saber qual submarca é mais popular em cada país do mundo, porque empresas de análise de mercado juntam todas sob o guarda-chuva da Xiaomi. Na Europa, os aparelhos Xiaomi e Redmi parecem ter boa participação, enquanto aqui no Brasil a linha Poco parece conquistar mais consumidores em tempos recentes.

Batalha por atenção

A Xiaomi tem o objetivo de desbancar Apple e Samsung do topo do mercado global de smartphones nos próximos anos. E, para isso, adotou a estratégia de inundar os mercados com todo tipo de celular que puder.

O site TechRadar fez uma análise sobre o excesso de aparelhos da Xiaomi disponíveis no mercado. O texto foi publicado em julho de 2021, e a situação só piorou desde então, com a chegada de muito mais modelos ao mercado desde então, e muitas “figurinhas repetidas”.

Xiaomi, Redmi, Poco e Black Shark usam a mesma interface MIUI (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

Um parágrafo em particular chamou a minha atenção. Ele diz: “nos mercados de baixo e médio custo, bom não é bom o bastante. Há tantos aparelhos disputando sua atenção (e companhias brigando por seu dinheiro”, que dispositivos precisam ser muito bons em algum critério específico para valerem a recomendação”.

E este é um ponto-chave para explicar a repetição de dispositivos em diferentes mercados — e, às vezes, até em um mesmo mercado. O texto ainda fala que, nos 12 meses anteriores à publicação, foram lançados nada menos que 17 modelos da companhia no Reino Unido (país de origem do site).

Com essa quantidade tão grande de dispositivos despejados nas prateleiras de um único país, fica difícil que eles se destaquem entre si. E também não dá para esperar que cada um tenha alguma característica muito boa em particular.

Apenas como curiosidade, eu contei 29 celulares e um tablet lançados pela Xiaomi no Brasil desde maio de 2019. Quase 10 modelos por ano até agora — e ainda tem a extensa linha Redmi Note 11 para chegar neste início de abril.

Por que a Xiaomi lança tanto celular igual?

São vários motivos para a Xiaomi ter tanto celular repetido no mercado global, mas tudo se resume à estratégia da companhia. A gente pode discutir se esta tática é eficaz ou não ou se é a ideal, mas é fato que a empresa chinesa tenta alcançar diferentes públicos com uma quantidade absurda de lançamentos.

Para mim e para você, que acompanhamos o mercado de perto, é uma confusão sem fim, mas acabamos nos encontrando com um pouco de paciência. Para quem quase não pesquisa direito que aparelho comprar, vai ver o preço, analisar se pode pagar e decidir pela compra ou não.

Linha Redmi Note 11 chegou a 30 variantes ao redor do mundo no início de abril (Imagem: Reprodução/Xiaomi)

O que eu quero dizer com isso é que, se para nós é um problema, para a maioria da população não é. E aí a estratégia parece bastante eficaz, já que o usuário médio basicamente compra com base em algumas indicações e se gosta ou não do visual, além da faixa de preço.

Ou seja, tanto faz se o Redmi Note 11 5G é igual no papel ao Poco M4 Pro 5G. O que interessa para a maioria das pessoas é se o visual agradou e se o aparelho está dentro do orçamento.

Por isso, a Xiaomi lança tanto celular igual. Não precisa se esforçar muito mais do que isso para alcançar mais consumidores.

Fonte: TechRadar

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.