Western Digital MyCloud: mais do que um disco rígido, menos do que um NAS

Por Pedro Cipoli

Já analisamos algumas boas soluções de armazenamento na rede aqui no Canaltech, de simples discos como o MyBookLive da Western Digital até produtos mais avançados, como o NAS Iomega StorCenter PX2-300d, que, embora traga bem mais recursos e maior capacidade de armazenamento, não é voltado para consumidores finais. Agora vamos conhecer o MyCloud, também da Western Digital, que fica mais ou menos posicionado entre um e outro.

Começando pela capacidade de armazenamento, ele começa com capacidades de 2 TB e vai até 4 TB (recebemos o modelos de 3 TB para testes), com espaço de sobra mesmo na versão inicial. Para um produto que ficará conectado na rede, ligado 24 horas por dia, nada mais justo, permitindo que a maioria dos usuários possa armazenar uma boa quantidade de filmes, imagens e músicas nele antes de começar a se preocupar com falta de espaço.

Duas funções bastante úteis incluem configurar os downloads diretamente para o MyCloud, permitindo que os arquivos sejam acessados por todos os dispositivos da rede, e backup. Não tivemos dificuldade de mandar uma imagem do Windows para lá diretamente do Acronis, assim como backup automático do Ubuntu. No caso, separamos em pastas particulares, acessadas somente via senha, recurso ideal para dados mais importantes.

Independentemente da capacidade, o design é exatamente o mesmo, parecido e ao mesmo tempo mais bonito do que o do MyBookLive com uma boa construção em plástico branco. Assim como o MyBookLive, ele suporta somente um HD, o que faz com que ele caiba em qualquer lugar, em especial ao lado do roteador, onde provavelmente ficará durante toda a sua vida útil, assim como o Seagate Central que testamos aqui há algum tempo.

WDMyCloud

Não há um sistema ativo de resfriamento, apenas uma saída de ar quente na parte de cima, o que não chega a ser um problema, já que um HD não esquenta tanto a ponto de necessitar de um cooler dedicado a ele, além de fazer muito menos barulho quando está ativo. Depois de um timeout configurável, o MyCloud entra em estado de espera, com o LED azul apagando preguiçosamente e sem emitir ruído algum. Basta tentar acessá-lo, esperar alguns segundos que ele já estará ativo novamente.

Configurá-lo é extremamente simples, o que o torna ideal para uso doméstico. Basta acessar a interface web e configurar uma conta, a mesma que será utilizada em todos os aparelhos sincronizados. Em nossos testes, não precisamos realizar nenhuma configuração extra de compartilhamento no Windows (8.1) ou no Linux (Ubuntu LTS 14.04), funcionando normalmente também no Android 4.4.4 KitKat (Moto Maxx), Windows Phone 8.1 (Lumia 1020) e no iOS 8.0.2 (iPad Air).

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Depois de configurar tudo, o que demora alguns poucos minutos, e, no nosso caso, aguardar o upgrade de firmware inicial, o que demorou umas boas 2 horas para completar, basta jogar arquivos lá e ponto final. Com rede cabeada, não sentimos problemas de desempenho em nenhum momento, seja no PC, seja no MediaCenter conectado à rede. Mesmo filmes Remux não travaram com seus 50 GB de espaço em disco e altíssimo bitrate.

Há uma porta USB 3.0 na parte de trás do MyCloud, mas que funcionou somente para discos externos, e não impressoras. Após conectá-lo, o MyCloud demora alguns minutos para indexar todos os arquivos, separando o HD em uma pasta separada. O bacana é que não preciso desligá-lo ao conectar ou desconectar o HD externo.

O desempenho wireless varia muito de aparelho para aparelho. Tanto no Android quanto no iOS, conectados através do padrão N no roteador, a conexão permaneceu bastante estável. Já em um notebook relativamente antigo, limitado ao padrão G no roteador, a velocidade é sofrível, mas nada que seja culpa do MyCloud, e sim de uma limitação da própria antena Wi-Fi do notebook.

WDMyCloud

Depois de configurado, é possível acessar os arquivos do MyCloud de qualquer lugar do mundo, desde que o aparelho esteja pareado. Quandoo acessamos via Wi-Fi, mesmo com centenas de quilômetros de distância, sentimos uma latência de acesso bem maior devido à distância, mas as velocidades de download permaneceram praticamente as mesmas.

Já o acesso via rede móvel, mesmo usando o 4G LTE, é sofrível. Rodamos o Speedtest repetidas vezes para conferir a velocidade de conexão e ela estava bem estável, mas, mesmo assim, a experiência que tivemos foi péssima. Novamente, não nos parece um problema do MyCloud, já que ele se comportou bem quando acessado de outro país via Wi-Fi. Mas no 4G, a menos de 15 km de distância, a história é outra. É como se fosse possível “contar os bits chegando”.

MyCloud

Até agora encontramos dois problemas do MyCloud, mas nenhum relacionado a ele. Então isso quer dizer que ele não tem problemas? Não: a interface web e o app Android/iOS precisam ser trabalhados, ficar mais responsivos. Mesmo com uma boa configuração nos aparelhos que utilizamos, sentimos uma lentidão do app da WesternDigital, o mesmo valendo para a interface web, que mal parece ser acessada via rede local.

Em relação ao design do app, também temos algumas críticas. Utilizamo-nos já há algum tempo e o visual pouco mudou, ainda que vários recursos tenham sido adicionados, e destoa bastante da evolução visual “não-tão-recente” do Android e do iOS. Ele ainda tem um aspecto geral muito Android 2.3 ou iOS 6, então um polimento gráfico seria muito bem-vindo, já que raros são os smartphones que não lidam bem com animações 3D atualmente, mesmo os mais básicos.

Conclusão

Encontramos uma grande variação de preços para as diferentes versões do MyCloud, indo de uma média de R$ 1.000 para o modelo de 2 TB até R$ 1.600 no modelo de 4 TB. Vale a pena? Vale para quem está em busca de um upgrade de armazenamento conectado diretamente ao roteador e não quer problemas na hora de configurá-lo. É sim possível conseguir a mesma capacidade a um preço menor, mas isso exige conhecimentos mais avançados.

Ter os mesmos recursos em um produto bonito, pequeno e extremamente eficiente energeticamente, em que basta conectá-o na rede e configurá-lo por alguns poucos minutos, requer um preço, uma “taxa de conveniência”, por assim dizer, e é isso que o MyCloud representa.

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