Review Redmi Note 11T | Um Poco M4 Pro com mais RAM

Por Diego Sousa | Editado por Léo Müller | 16 de Fevereiro de 2022 às 09h04
Ivo Meneghel Jr. / Canaltech

O Redmi Note 11T é a versão indiana do Poco M4 Pro 5G, celular intermediário já analisado aqui no Canaltech. Será que ele é bom? Eu testei o smartphone da Xiaomi por alguns dias e conto todas as minhas impressões neste review.

Antes de começarmos, lembro que, caso você se interesse pelo Redmi Note 11T, deixarei links de compra do seu irmão gêmeo Poco M4 Pro 5G ao longo desta análise, já que ele tem estoque no Brasil. Vamos nessa?

Prós

  • Desempenho
  • 5G
  • Bateria
  • Câmeras

Contras

  • Tela
  • Acabamento
  • Interface pesada
  • Modo retrato

Construção e design

O Redmi Note 11T é praticamente idêntico ao seu irmão Poco M4 Pro: a tampa traseira e as laterais são de plástico, a gaveta de chip, e a disposição dos botões, as saídas de som e o conector de 3,5 mm para fones de ouvido estão posicionadas nos mesmos lugares.

O módulo de câmeras aparentemente robusto é outra semelhança, embora, por aqui, não haja a estranha faixa preta gigante que cobre quase um terço da parte traseira do Poco M4 Pro. Como resultado disso, temos um visual mais sóbrio e, na minha opinião, bem mais agradável aos olhos.

O Redmi Note 11T é mais bonito que seu irmão Poco M4 Pro (Imagem: Ivo Meneghel Jr./Canaltech)

Por falar no conjunto fotográfico, deixa eu esclarecer que, apesar dos cinco furos na peça, o Redmi Note 11T é equipado com duas câmeras, apenas. Também há um flash de LED, uma inscrição indicando a presença de inteligência artificial nos sensores e um pequeno ponto vermelho, sem função alguma.

No geral, até que gostei da pegada do Redmi Note 11T. O acabamento plástico não é dos melhores que eu já testei — os intermediários da Samsung ainda apresentam um material melhor —, porém suas 195 gramas são bem distribuídas.

  • Dimensões: 163.6 x 75.8 x 8.8 mm;
  • Peso: 195 gramas.

Vale mencionar, também, a presença da certificação IP53, que garante uma proteção extra contra respingos d’água e poeira. Não é uma resistência a submersão, mas já é melhor que o revestimento simples dos dispositivos da Motorola.

"O acabamento plástico do Redmi Note 11T não é dos melhores entre os intermediários que já testei, mas a pegada até que é interessante devido aos cantos ligeiramente arredondados. Ainda assim, estamos falando de um smartphone bem grande e que pode não agradar quem possui mãos pequenas."

— Diego Sousa

Tela

  • Tamanho: 6,6 polegadas, 105,2 cm² de área, ~84,8% de ocupação;
  • Painel: IPS LCD;
  • Resolução e proporção: Full HD (1080 x 2400 pixels), 20:9;
  • Densidade de pixels aproximada: 399 ppi;
  • Extras: Gorilla Glass 3, 90 Hz de frequência.

A tela do Redmi Note 11T é idêntica a do Poco M4 Pro, logo temos as mesmas experiências positivas e negativas. O painel IPS LCD de 6,6 polegadas apresenta bons níveis de brilho para uso em ambientes fechados, mas sofre em locais abertos e com muita luz, como na rua.

Além disso, as limitações do LCD no contraste e na saturação deixam basicamente todos os conteúdos com uma aparência lavada, quase sem vida. Fato é que a Xiaomi nunca se destacou com seus painéis do tipo, e é uma pena que ela ainda não migrou para o AMOLED.

Tela IPS LCD do Redmi Note 11T tem 6,6 polegadas e resolução Full HD+ (Imagem: Ivo Meneghel Jr./Canaltech)

Para quem gosta de cores mais naturais, no entanto, o Redmi Note 11T faz um trabalho decente, embora nada empolgante. A resolução Full HD+ (2.400 por 1.080 pixels) em uma tela de 6,6 polegadas é agradável e oferece boa definição em filmes, séries e jogos.

Um destaque positivo do aparelho é a taxa de atualização de 90 Hz, para jogos compatíveis e sistema mais fluidos. Uma pena que a interface MIUI 12.5 não é das mais leves entre as personalizações do Android para aproveitar ao máximo esse recurso.

Configurações e desempenho

  • Plataforma: MediaTek Dimensity 810 5G (6 nm);
  • Processador: Octa-core (2x 2,4 GHz Cortex-A76 + 6x 2,0 GHz Cortex-A55);
  • GPU: Mali-G57 MC2;
  • Sistema: Android 11 sob a interface MIUI 12.5.2;
  • RAM e armazenamento: 4/64 GB, 6/64 GB, 6/128 GB, 8/128 GB.

Internamente, o Redmi Note 11T 5G tem um conjunto bastante decente para a categoria intermediária. Eu joguei títulos pesados, como Asphalt 9, Free Fire, Yu-Gi-Oh: Master Duel e Sonic Forces, e não tive nenhum problema grave, apenas um aquecimento acima da média da região das câmeras.

Além disso, com 8 GB de RAM, dois a mais que o seu irmão Poco M4 Pro 5G, pude alternar entre aplicativos tranquilamente sem me preocupar com reinicializações, travamentos e engasgos.

A única crítica vai para a própria interface MIUI 12.5. Mesmo com um hardware trabalhando de forma mais suave, a navegação entre as telas ainda aparenta ser arrastada, como os 8 GB de RAM não estivessem dando conta do sistema.

A MIUI sempre foi conhecida por ser muito carregada, mas, pelo menos nos smartphones da Xiaomi que eu pude testar, nunca tive problemas parecidos — provavelmente, a versão 12.5.2 do sistema veio com algum bug.

Infelizmente, não foi possível realizar nossos testes padrões de benchmark na plataforma 3DMark porque o Redmi Note 11T aparentemente não é compatível — talvez por ser um modelo apenas vendido na Índia.

No entanto, dá para dizer que o desempenho do Redmi Note 11T é muito próximo ou até ligeiramente superior ao Poco M4 Pro, por conta dos 2 GB de RAM a mais.

Interface e sistema

Como eu já comentei, o Redmi Note 11T 5G vem com a interface MIUI 12.5.2 em cima do Android 11. Eu sempre gostei da modificação da Xiaomi no Android principalmente porque é possível personalizar praticamente cada canto do sistema, o que é ótimo.

Outra coisa que gosto da MIUI é a separação de apps por categoria, algo que a One UI da Samsung não oferece. É uma forma interessante de agrupamento principalmente se você costuma instalar muitos aplicativos.

Interface MIUI é bonita, mas muito carregada (Imagem: Captura de tela/Diego Sousa)

No entanto, não dá para deixar de mencionar o quão pesada a interface parece nos modelos mais simples. A navegação é geralmente truncada, ao ponto da taxa de atualização mais alta não fazer muita diferença.

Além disso, enquanto elogio a personalização da MIUI, me incomoda o fato da interface parecer “poluída” demais, com muitas opções de configurações, menus e submenus a cada tela.

Por ser um modelo lançado no finalzinho de 2021, é provável que ele receba o Android 12 junto da MIUI 13, mas, considerando o histórico da Xiaomi, não deve acontecer tão cedo.

Câmeras

O Redmi Note 11T 5G possui duas câmeras traseiras, sendo uma principal de 50 MP e uma ultrawide de 8 MP. Na frente, há um sensor de 16 MP. Eu senti falta de uma lente macro, algo que a Xiaomi geralmente manda bem nos seus modelos intermediários e premium.

  • Principal: 50 MP, abertura f/1.8, foco PDAF dual pixel;
  • Ultrawide: 8 MP, abertura f/2.2, campo de visão de 119º;
  • Frontal: 16 MP, abertura f/2.5;
  • Vídeo: 1080p a até 60 fps (principal), 1080p a 30 fps (frontal).

No geral, gostei muito da qualidade das imagens do Redmi Note 11T 5G. A câmera principal de 50 MP é fiel às cores e não exagera em saturação e contraste, característica favorável para quem prefere editar as fotos antes de publicá-las nas redes sociais.

Câmera de 50 MP é fiel às cores, mas somente com IA desativada (Imagem: Diego Sousa/Canaltech)

Importante mencionar que eu fotografei com HDR ativado e inteligência artificial desativada, pois a última tende a deixar imagens de árvores artificiais, com verdes bem saturados e estrutura exagerada.

Mesmo com a ausência de uma lente telefoto, o software oferece zoom de 2x ao fazer um recorte do sensor de 50 MP. As cores se mantém fiéis, e a definição não se perde tanto.

Zoom feito por software é interessante (Imagem: Diego Sousa/Canaltech)

O modo retrato do Redmi Note 11T tem um dos recortes mais precisos que já vi em um smartphone intermediário, mas notei que o pós-processamento deixou as fotos muito escuras.

Modo retrato do Redmi Note 11T (Imagem: Diego Sousa/Canaltech)

A câmera de ângulo mais aberto não se destaca na categoria, mas também não faz feio: com apenas 8 MP, os resultados apresentam bom alcance dinâmico e poucas distorções, mas a definição é prejudicada pela baixa resolução.

Nas selfies, a lente de 16 MP é boa, mas não é difícil perceber um alcance dinâmico mais limitado e imagens geralmente estouradas. Você deve conseguir fotos ok para a redes sociais, porém não espere nada excelente.

Som

Os celulares intermediários da Xiaomi geralmente se destacam quando o assunto é som. O Redmi Note 11T tem dois alto-falantes, característica que muitas fabricantes ainda insistem em deixar de fora de modelos intermediários.

A Xiaomi geralmente manda muito bem no quesito som (Imagem: Ivo Meneghel Jr./Canaltech)

A qualidade sonora agradável só pelo fato de ser estéreo, porém o hardware peca um pouco na estridência quando na intensidade máxima. No entanto, no geral a reprodução consegue ser bem nítida e potente.

Bateria

  • Capacidade de carga: 5.000 mAh;
  • Recarga: 33 W.

Com 5.000 mAh, a bateria do Redmi Note 11T 5G é ligeiramente semelhante a do seu irmão gêmeo Poco M4 Pro — o que é ótimo.

No nosso teste padrão de streaming, com brilho de tela em 50% e conectado ao Wi-Fi, o intermediário gastou 14% em três horas de reprodução, apenas 1% a menos que o Poco M4 Pro nas mesmas condições.

Em outro cenário, agora reproduzindo um dia de uso, usei 30 minutos de redes sociais, 30 minutos de jogos, três horas de streaming na Netflix, e 30 minutos de YouTube, o Redmi Note 11T terminou com cerca de 69%, o que é muito bom para a categoria.

A bateria de 5.000 mAh é tão boa quanto a do Poco M4 Pro (Imagem: Ivo Meneghel Jr./Canaltech)

Com relação ao carregamento, os 33 W de potência recarregam o dispositivo em aproximadamente uma hora, velocidade excelente. E o melhor é que a Xiaomi já envia o acessório na caixa.

Concorrentes diretos

Como eu comentei mais acima, o Redmi Note 11T é a versão indiana do Poco M4 Pro, portanto não faz sentido importá-lo com o seu irmão gêmeo podendo ser encontrado no nosso mercado.

Entre os concorrentes do Poco M4 Pro por aqui, dá para citar o Galaxy M52 5G, que custa em torno de R$ 1.800. O conjunto do intermediário da Samsung é superior, incluindo a presença de tela Super AMOLED, câmeras melhores e um acabamento mais interessante.

Vale a pena comprar o Redmi Note 11T?

Não, mas somente por ele ser uma espécie de Poco M4 Pro indiano com um pouco mais de memória RAM. É complicado recomendar um aparelho difícil de encontrar até no AliExpress.

Portanto, para a finalização desta análise, considerarei o Poco M4 Pro, que pode ser encontrado tanto no nosso mercado como em diversos sites de importação mais facilmente.

Se você for fã dos celulares da Xiaomi e não se importe em abrir mão de tela de alta qualidade e acabamento premium, acredito que ele valha a pena pelo preço cobrado se comprar direto da China, na faixa de R$ 1.400.

Agora, considerando o seu preço praticado no Brasil, em torno de R$ 1.800, fica muito difícil recomendá-lo em meio a tantos modelos da Samsung com conjuntos melhores.

O Galaxy M52 5G, custa praticamente o mesmo do rival chinês e oferece design mais agradável, tela Super AMOLED, câmeras melhores, desempenho equivalente e bateria de longa duração — e também oferece suporte ao 5G.